Paratleta de Anhembi é destaque no halterofilismo

Superação, determi­nação e força de vonta­de, essas são algumas palavras que a atleta de levantamento de peso, Maraísa Proen­ça Moral, 31 anos, de Anhembi, na região de Bo­tucatu, convive todos os dias.

Natural de Piracicaba, Maraísa nasceu com má formação congêni­ta. Ela não tinha a tí­bia e nem a rotula do joelho, por isso foi ne­cessário uma amputa­ção, para colocar uma prótese e poder andar. “Fiz a amputação com um ano e meio para dois anos e logo após a cicatrização colo­quei minha primeira perna mecânica”, lem­bra a halterofilista.

Hoje, Maraísa treina com a equipe parao­límpica de Itú, com o treinador da Seleção Brasileira de Haltero­filismo e é um dos des­taques na modalidade. Entre os dias 7 e 18 de setembro ocorre­rão, no Rio de Janei­ro, as Paralímpiadas. Maraísa não obteve índice para competir, mas isso não a desa­nima, pelo contrário. Ela avisa que está se preparando para os Jogos Paralímpicos Toquio 2020 e ficará na torcida pelos ami­gos e companheiros de treinamento nos Jogos do Rio.

Acompanhe a entre­vista do com Maraísa Proença, também co­nhecida como a “Bo­neka de Ferro”.

LEIA NOTÍCIAS – Você é uma atleta de alto nível e tem obtido bastante destaque. Como começou no esporte e qual a im­portância dele na sua vida?

MARAÍSA – Quan­do me mudei para Anhembi comecei a frequentar a academia para sair do sedenta­rismo e perder peso. Fazia musculação e fui tomando gosto pelos pesos. Quando o meu professor, Beto Ninja, me convidou pra as­sistir a um Campeona­to que alguns alunos iriam participar, me apaixonei pelo espor­te e no campeonato seguinte já comecei a competir. Até então eu participava de campe­onatos convencionais, até que conheci a equi­pe Paralímpica de Itu, a AESA, através da minha amiga Joselia, conheci o treinador Valdecir Lopes, que também é técnico da Seleção Brasileira de Haltero­f i l i s m o e ele me convidou pra ir até Itu treinar. Me apaixo­nei mais ainda pelo esporte, e o que era um hobby virou coisa séria. Hoje me dedico intensamen­te aos trei­nos, mudei minha roti­na, tenho muito mais disciplina e não me vejo mais sem o esporte. O meu mari­do, Fábio Marqueti, também me acompa­nha e me apoia em tudo.

LN – Nos últimos anos tem aumentado o es­paço na mídia para atletas com deficientes  físicas , como você vê essa visi­bilidade atu­al?

MARAÍSA – Graças à Deus tem melhora­do, mas ain­da há muito a se fazer. Infelizmen­te o esporte paralímpico não tem a mesma vi­sibilidade que o olím­pico tem, e isso dificulta para os atletas con­s e g u i r em patrocínios e para te­rem lo­cais em condições adequadas para treinos. A maio­ria tem que tirar di­nheiro do bolso para tudo e as vezes acabam deixando d e lado os s o n h o s por falta de condi­ções.

Mesmo com t u d o isso o Brasil é uma po­tência nos Jogos Pa­ralímpicos. Estamos em sétimo lugar no ranking mundial e a meta é ficar em quin­to agora nas Paralim­píadas. Tenho certeza que iremos conseguir, pois o que falta de in­centivo, sobra em for­ça de vontade.

LN – Nos próximos dias teremos as Pa­ralimpíadas no RJ, você poderia estar lá representando o Bra­sil. Como você vê a importância desses Jogos?

MARAÍSA – Acho su­per importante as Pa­ralimpíadas serem em casa, com certeza te­mos a ganhar muito com isso, pois as pes­soas vão poder ver de perto e conhecer esse mundo incrível. Irão ver além das aparên­cias e incentivar mui­tas outras pessoas a praticarem esportes e a ter a visão real do deficiente. Infelizmen­te para essa Paralim­píada ainda não tenho o índice para convo­cação, mas estou me preparando desde já para 2020, pois sei que tudo tem sua hora e o nosso tempo é de Deus. Aliás o Haltero­filismo será represen­tado por cinco atle­tas, com chances de medalhas. Estou aqui na torcida por todos e muito feliz em ver meus amigos lá com­petindo.

LN – Qual é seu obje­tivo?

MARAÍSA – Meu obje­tivo é melhorar a cada dia, ser uma atleta da Seleção Brasileira e em 2020 estar parti­cipando dos Jogos Pa­ralímpicos em Tóquio. Quero terminar nossa casa e ter filhos.

LN – Porque o apelido “Boneka de Ferro”?

MARAÍSA – A Bo­neka de Ferro surgiu quando fui gravar uma entrevista e eles deram esse apelido para mim. Eu acabei adotando, pois asso­cio a boneca por ser mulher e de ferro por causa da minha perna mecânica (risos).

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