Falso policial é condenado por estuprar e roubar prostitutas brasileiras em Londres

Um homem que fingiu ser policial estuprou e roubou duas prostitutas brasileiras em Londres, no Reino Unido, após ameaçá-las com prisão e deportação, foi condenado nesta sexta-feira (5) a 14 anos de prisão.

Pawel Pazola, de 51 anos, foi sentenciado em um tribunal no noroeste da capital britânica, acusado dos crimes de estupro, roubo, falsa identidade e porte de imitação de arma de fogo.

Ele permanecerá sob liberdade condicional por mais quatro anos após o cumprimento de sua pena.

Também será obrigado legalmente a prestar informações às autoridades para avaliar e monitorar seu risco para a sociedade pelo resto da vida.

Pazola, natural da Polônia, mora no Reino Unido há mais de uma década.

No início de setembro, ele foi considerado culpado de todas as acusações após um julgamento de duas semanas no mesmo tribunal.

Pawel Pazola, de 51 anos, estuprou mulheres após ameaçá-las com prisão e deportação (Foto: Metropolitan Police/BBC)

Pazola conheceu ambas as vítimas usando um site de acompanhantes online. As duas prostitutas, que não tiveram os nomes revelados, não se conheciam antes dos ataques.

Em ambos os casos, fazendo-se passar por policial, Pazola ameaçou prender e deportar as vítimas. Ele então as estuprou e pegou de volta o dinheiro que havia inicialmente pago.

Durante o segundo ataque, ele chegou a usar um distintivo policial falso e uma réplica de arma de fogo. Também roubou outro dinheiro que a mulher havia ganhado.

Pazola se encontrou com a primeira vítima, que tinha cerca de 20 anos, no dia 7 de agosto de 2020 em um endereço no bairro de Camden. Ele a forçou a fazer sexo sem preservativo.

No entanto, a mulher não queria denunciar o ataque à polícia por medo de ser presa. Em vez disso, contatou uma assistente social por meio de uma ONG no dia seguinte, que a ajudou a fazer o boletim de ocorrência na polícia.

Ela também compartilhou o que lhe havia acontecido em um grupo do WhatsApp para outras prostitutas brasileiras que trabalham no Reino Unido. Mais tarde, foi informada de que um incidente muito semelhante havia acontecido com outra mulher.

Pazola usou distintivo policial falso — Foto: Metropolitan Police/BBC
Pazola usou distintivo policial falso (Foto: Metropolitan Police/BBC)

Em 22 de agosto de 2020, Pazola se encontrou com sua segunda vítima, outra mulher de 20 anos em Bayswater, outro bairro londrino. Pazola novamente forçou a vítima a fazer sexo sem preservativo.

A primeira vítima encorajou a segunda a denunciar o ataque à polícia, insistindo que o caso seria levado a sério, e ela formalizou a denúncia cinco dias depois.

Detetives da Equipe de Crimes Sexuais Graves da Metropolitan Police, a polícia de Londres, começaram uma investigação e identificaram o número de telefone que Pazola usava para marcar os encontros. Eles também usaram evidências digitais e forenses para rastreá-lo.

A prisão

Pazola foi preso no dia 30 de agosto de 2020 em um endereço em Crawley, cidade ao sul de Londres. Após a prisão, seu endereço residencial e carro foram revistados. Uma imitação de um distintivo policial, uma réplica de arma preta e 1.380 libras (R$ 10.470) em dinheiro foram apreendidos.

Pazola foi indiciado no dia seguinte, 31 de agosto de 2020, e detido preventivamente. Ele compareceu ao tribunal e foi novamente detido antes do julgamento.

Segundo a Met, “ambas as mulheres foram apoiadas por oficiais especializados”.

As vítimas acabaram voltando ao Brasil por escolha pessoal e prestaram depoimento em vídeo.

O detetive Sam Lockstone, que comandou a investigação, descreveu Pazola como “um predador altamente perigoso que buscava tirar vantagem das vulnerabilidades das vítimas para sua própria gratificação e ganho monetário”.

Pazola também usou arma falsa para coagir vítimas — Foto: Metropolitan Police/BBC
Pazola também usou arma falsa para coagir vítimas (Foto: Metropolitan Police/BBC)

“A resposta da Met à prostituição não mudou; a nossa prioridade continua a ser abordar a vulnerabilidade e exploração ligada ao trabalho sexual na rua, fora da rua e online”.

“Nossa abordagem não é criminalizar as trabalhadoras do sexo envolvidas, mas protegê-las e apoiá-las, e construir confiança mútua para encorajar o compartilhamento de informações para melhorar a segurança”, acrescentou.

A detetive Barbara Siembida, que também integrou a equipe que investigou o caso, encorajou vítimas de tais crimes a “se apresentarem”, dizendo que embora ela entenda o medo inicial que algumas possam ter de falar com a polícia, seu status de imigração é “irrelevante para a investigação”.

Fonte: BBC

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