16 de junho, 2024

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Sindicatos ameaçam parar França em março contra reforma da Previdência

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Os sindicatos ameaçaram, neste sábado (11), “paralisar” a França em março, se o presidente Emmanuel Macron não ouvir a rejeição da maioria da população à sua reforma previdenciária, em meio a um dia de novas manifestações multitudinárias.

“Se, apesar de tudo, o governo e os legisladores ainda continuam sem ouvir a rejeição popular, a intersindical vai convocar (…) a paralisação de todos os setores na França, em 7 de março”, disse o líder da central FO, Frédéric Souillot.

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A advertência foi feita no âmbito de um quarto dia de protestos na França desde o início do ano. O Ministério do Interior anunciou 963 mil manifestantes presentes, enquanto o sindicato CGT afirmou que “mais de 2,5 milhões” de pessoas participaram das manifestações.

Em Paris, onde 10 pessoas foram presas por confrontos com a polícia, foi registrada a maior participação até o momento: entre 93 mil (polícia) e 500 mil (CGT). A nível nacional, a maior manifestação do ano foi a de 31 de janeiro (entre 1,27 e 2,8 milhões).

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O objetivo é fazer o governo recuar em sua proposta de adiar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos até 2030 e de antecipar para 2027 a exigência de contribuir com 43 anos (e não 42, como agora) para receber a pensão integral.

A maioria dos franceses — dois em cada três, segundo as pesquisas — se opõe à reforma, com a qual o governo busca aproximar a idade de aposentadoria da de seus vizinhos da Europa e evitar um déficit futuro no caixa da Previdência.

“Custo a acreditar que o governo não vai ouvir esta importante rejeição” à sua reforma, aplicada em um “contexto difícil”, de inflação para a população, disse à AFP Gaëlle Leroy-Careto, durante a marcha realizada em Paris em um clima festivo.

O assistente social Abdel Bemoussa, 41 anos, que participou junto com a família de uma manifestação em Le Havre (noroeste), também se queixou: “Se para nós são 64 anos, para ela [sua filha], quantos anos serão? 70 anos?”.

Inesperadamente, uma greve dos controladores forçou o cancelamento de metade dos voos programados no aeroporto parisiense de Orly na tarde deste sábado.

‘Bloquear a economia’

Nesse contexto, tudo parece caminhar aponta para um endurecimento dos protestos a partir de 6 de março, quando terminam as férias escolares de inverno na França. Os sindicatos dos transportes públicos de Paris convocaram neste sábado um paralisação prorrogável na RATP, a partir de 7 de março, para “bloquear a economia”, e a central sindical CGT já falou em medida parecida no serviço ferroviário.

A última vez que se conseguiu interromper uma reforma previdenciária na França foi em 1995. Nesse ano, o primeiro-ministro de centro direita, Alain Juppé, teve de recuar, após uma greve geral que paralisou o transporte por três semanas.

Este setor também esteve na linha da frente no final de 2019 e início de 2020 contra a primeira tentativa de reforma do presidente Macron, que a pandemia o obrigou a suspender. O mandatário liberal fez dessa medida a prioridade de seu atual segundo mandato.

Ontem, Macron pediu “responsabilidade” aos sindicatos para não bloquearem o país e disse querer que o debate seja no Parlamento, porque “é assim que a democracia deve funcionar”.

A tensão também é máxima na Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados) entre a oposição de esquerda Nupes e a aliança de Macron, que não tem maioria absoluta e espera contar com o apoio da oposição de direita Os Republicanos (LR) para sua reforma.

O presidente tem, no entanto, uma carta na manga.

O método parlamentar escolhido para a reforma permite que ela seja aplicada a partir do final de março, se as duas Casas do Parlamento (Assembleia e Senado) não chegarem a votá-la. em meio às milhares de emendas apresentadas.

“Qualquer que seja o resultado dessa reforma, não há dúvida de que o Executivo sairá enfraquecido na opinião pública, e não está nada claro que as oposições (especialmente a Nupes) sairão reforçadas”, considerou a empresa de pesquisas Odoxa na quinta-feira (9).

Os sindicatos temem que a adoção da medida gere um “desespero social” que beneficie a extrema direita nas urnas. Contrária à reforma, a política de extrema direita Marine Le Pen já disputou o segundo turno contra Macron em 2017 e 2022.

Fonte: Yahoo!

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