Nizo Neto sobre o filho: ‘Existe o Rian antes e depois da Ayahuasca’

Nizo Neto conversou com o Ego nesta terça-feira, 8, sobre o turbilhão que vem vivendo desde a morte do filho, Rian Neto. O corpo de Rian foi cremado no domingo, 6, e durante o fim de semana a mãe do estudante, Márcia Brito, fez uma série de posts em seu perfil no Facebook acusando Leona Cavalli de ter algum envolvimento com a morte do rapaz. A atriz é dirigente do Centro de Estudos Xamânicos Porta do Sol, local que utiliza a bebida psicoativa Ayahuasca – chá feito com uma combinação de plantas – em rituais com foco no desenvolvimento espiritual dos participantes. Rian esteve no centro há dois anos e tomou o chá por quatro vezes. De acordo com Márcia, o chá seria responsável por mudanças em Rian, que o levaram ao episódio fatal em que o rapaz se afogou em uma praia de Quissamã, no Norte Fluminense. Após as acusações públicas, Leona informou que irá tomar “providencias judiciais” para se defender.

“Eu não tenho nada para falar sobre isso. Estou aqui vivendo o luto do meu filho, que é uma dor indescritível. Não conheço a Leona, só de ver na TV. É uma coisa da Márcia com ela, eu não tenho nada com isso”, afirmou Nizo.

Leona Cavalli no centro xamânico Porta do Sol (Foto: Reprodução)

O ator e comediante não culpa a atriz, mas disse que é radicalmente contra o consumo da Ayahuasca. “Eu tenho duas bandeiras para levantar: a das pessoas desaparecidas e a do consumo do Ayahuasca. Com toda certeza foi uma coisa que levou ele a ter esse final. Três psiquiatras fizeram essa afirmação. Mas não me importa aonde ele tomou, com quem ele tomou. Antes eu só acreditava que isso poderia ser a causa, mas depois que os psiquiatras, pessoas gabaritadas para isso, afirmaram, eu tive certeza”, contou.

Nizo garantiu que antes do consumo do chá, Rian não havia demonstrado qualquer tipo de comportamento fora do normal. “Ele nunca apresentou nenhum sintoma de nada, sempre foi uma pessoa absolutamente normal, até tomar esse negócio”, afirmou.

Nizo relatou ainda que Rian passou a sofrer delírios. “Ele começou com uma coisa espiritual, que não era comum nele. Entrou num delírio que tinha uma missão e que para essa missão ele não podia comer. Comendo o mínimo para sobreviver, chegou a pesar 45kg. Existe o Rian antes e depois da Ayahuasca, apesar de ele ter tomado só quatro doses”, desabafou.

O filho de Chico Anysio disse que a família tentou de tudo para trazer Rian de volta ao estado normal. “Tivemos ajuda psiquiátrica, mas uma vez que a pessoa entra nesse quadro é complicado sair. Ele vinha apresentando uma melhora incrível, estava retomando todas as atividades normais como a faculdade, mas aquilo que aparentava uma melhora, na verdade não era. Ele vinha muito bem e estávamos muito tranquilos com o futuro dele e, de repente, ele fez isso de ir embora procurando um refúgio para ficar um pouco sozinho e aí teve a fatalidade de mergulhar naquele mar perigosíssimo”, contou.

Márcia Brito e Rian Neto com índios do centro (Foto: Reprodução)

Nizo negou que Rian tenha voltado a tomar o chá antes do incidente. Ele disse acreditar que o filho estava totalmente consciente quando decidiu fazer a viagem repentina. “Ele estava totalmente consciente, mas o que levou ele a pegar um ônibus sem falar com a gente é uma interrogação que vai ficar para sempre”, falou.

O ator e comediante disse que a responsabilidade de tomar o chá foi do próprio Rian, porém frisou que não apoia a legalização do chá a base de Ayahuasca. “O Rian é maior de idade, foi uma opção dele. Ele foi lá e assinou um termo, mas se a conduta da Porta do Sol está certa ou não, eu não sei, eu não os conheço. Se não fosse lá ele teria procurado outro lugar. Tem milhares de lugares no Rio de Janeiro que fazem a mesma coisa. Acho um absurdo ser liberado. Tem pessoas que tomam há 30 anos e nunca houve nada, tem gente que coloca o chá na mamadeira de crianças, mas se você pesquisar há outros casos de pessoas que sofreram o mesmo que Rian. Ele não é o primeiro. Parece que não há um controle, não tem um órgão regulando isso”, comentou Nizo. O pai disse ainda que não decidiu o que vai fazer com as cinzas do filho.

Entenda o caso

O corpo de Rian Brito, neto de Chico Anysio e filho de Nizo Neto, foi cremado neste domingo, 6, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Rian estava desaparecido desde o dia 23 de fevereiro. A última imagem que se tinha dele era do rapaz saindo do Shopping Fashion Mall, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Câmeras do centro comercial fizeram imagens do desaparecido entrando em um táxi. No shopping, o filho de Nizo Neto fez um saque bancário, cujo valor não foi divulgado.

Márcia Brito, Rian e Nizo Neto (Foto: Reprodução)

Na segunda-feira, 29, pertences de Rian foram encontrados em Quissamã, município do Norte Fluminense, localizado a mais de 240 km do Rio, intrigando a todos. As roupas e os documentos estava em uma área isolada, de mata virgem e difícil acesso, localizada entre a Lagoa do Paulista e o mar.

Na quarta-feira, 2, a mãe de Rian teve acesso a imagens feitas pelas câmeras da rodoviária Novo Rio que mostram o filho embarcando sozinho em um ônibus para Quissamã, resolvendo o mistério para onde ele teria ido após pegar o táxi no shopping Fashion Mall.

Na quinta-feira, 3, o corpo de Rian foi encontrado 8 km antes do farol da Praia de Flexeiras graças a uma denúncia que chegou até a Defesa Civil de Quissamã e a Guarda Municipal. O pescador Aguinaldo Menezes e seu amigo Marcelo, que é guarda municipal, pescavam juntos quando encontraram o corpo e comunicaram às autoridades.

Fonte: Ego

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