Mesmo se não apresentar sintomas, imunizado que teve contato com pessoa com Covid tem de ficar em casa, afirmam os médicos

Está cada vez mais frequente ter alguém do círculo familiar ou do trabalho que positivou para a Covid-19. Num momento de disseminação da ômicron, que é mais contagiosa que as variantes anteriores do coronavírus, é importante tomar a vacina e endurecer novamente com as medidas sanitárias para se proteger e não colocar outras pessoas em risco. Uma das dúvidas do momento é o que fazer quem está vacinado e teve recente contato com alguém que terminou de positivar para a Covid.

Mesmo que não apresente sintomas, a orientação é ficar em casa e se observar. Caso desenvolva sintomas, mesmo que leves, deve procurar atendimento médico, ressalta João Paulo Poli, infectologista do Grupo São Francisco, que integra o Sistema Hapvida. “O isolamento de assintomáticos é para evitar a contaminação de outras pessoas, principalmente àquelas com imunidade comprometida, como os idosos, quem tem doença crônica, câncer e os HIV positivo”, explica. O tempo de isolamento total para os infectados pela ômicron não está bem estabelecido ainda, mas é seguro considerar 10 dias, acrescenta ele.

Poli lembra que a ômicron é uma cepa nova, da qual ainda não se conhece muito. Identificada inicialmente na África do Sul e Botsuana, mas quase simultaneamente em outras partes do mundo, tem elevado número de mutações, principalmente na proteína de superfície Spike. E é isso o que confere à ela altíssima taxa de contágio comparado às cepas anteriores. “Até o momento, os dados mostram que é menos letal, mas ainda é cedo para determinar visto que é uma variante recém-descoberta. Mas sabemos que é responsável pela explosão recente de casos no mundo todo. Inicialmente na África do Sul, Europa e Estados Unidos. E, agora, provavelmente no Brasil”, comenta.

Por isso, a preocupação em frear o contágio. A boa notícia é que entre os vacinados infectados pela ômicron, até agora, o mais comum são sintomas leves. Os mais frequentes, de acordo com o infectologista, são dor no corpo intensa, dor de cabeça, mal-estar, dor de garganta e congestão nasal, que é o nariz entupido. Já tosse e falta de ar e perda de olfato e paladar são mais raros.

Como a variante ômicron é mais transmissível, o infectologista João Paulo Poli frisa que é necessário endurecer com as medidas sanitárias adotadas lá no início da pandemia: uso de máscara em tempo integral, higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, distanciamento social e evitar locais fechados sem ventilação natural e aglomerações de todo o tipo. A telemedicina, um serviço oferecido pelo Sistema Hapvida, é uma importante aliada porque pode auxiliar no diagnóstico e orientação do paciente sem que ele se exponha em ambientes de serviços de saúde.

Já a higienização de superfícies com álcool e não entrar em casa com roupas e calçados vindos da rua são atitudes consideradas de pouco efeito porque se sabe que a principal forma de transmissão do coronavírus é pelo ar. Sobre o tipo de máscara, a orientação não mudou, conta o infectologista: N95 para ambientes hospitalares e locais que prestam assistência a casos suspeitos de Covid-19 e as cirúrgicas e as de pano com três camadas para outros ambientes. “Nada impede que a pessoa use uma máscara com maior capacidade de proteção, mas elas são de difícil manipulação e custo elevado, por isso mais utilizadas por profissionais de saúde. As de pano, se trocadas com frequência, cumprem seu papel, juntamente com o distanciamento de dois metros e a ventilação natural de ambientes”, orienta João Paulo Poli.

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