Médico de Botucatu fala sobre o uso ou não de máscara. Percepção individual de risco deve ser determinante. “Temos que gerenciar esses riscos”

O fim da exigência de máscara em locais abertos e fechados em diversas cidades, como Botucau, e estados brasileiros nos últimos dias fez com que a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) emitisse uma nota com orientações para a população.

A entidade recomenda que os seguintes grupos mantenham neste momento o uso da proteção facial em todos os locais, independentemente das regras em vigor.

• Indivíduos com sintomas gripais ou que estejam em contato com transmissores (por exemplo, profissionais de saúde)
• Não vacinados contra a Covid-19 ou com esquema vacinal incompleto
• Imunossuprimidos (pacientes em quimioterapia, transplantados, em uso de corticoides por mais de 14 dias, em uso de drogas modificadoras da resposta imune, HIV com contagem de CD4 menor de 200, portadores de doenças autoimunes em atividade ou pessoas em hemodiálise)
• Pessoas acima de 60 anos, especialmente portadores de doenças crônicas (hipertensão arterial, diabetes mellitus não controlado, obesidade, câncer, doença renal crônica, cirrose hepática, doenças pulmonares ou cardiovasculares, entre outras)
• Gestantes com ou sem comorbidades

Para o vice-presidente da SBI e chefe da infectologia da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) em Botucatu, Dr. Alexandre Naime Barbosa, existe ainda a questão ambiental.

“Existem locais onde é menos provável a transmissão e locais onde é mais provável. […] Na nossa vida, em geral, vivemos situações em que temos que gerenciar o risco. Para evitar doenças cardiovasculares, infarto ou derrame, por exemplo, tem que fazer dieta e atividades físicas. Para a Covid também temos que gerenciar esses riscos. Por isso fizemos essas recomendações.”

Por essa razão, as orientações da SBI apontam ainda locais em que considera importante a manutenção da máscara por todas as pessoas. São eles:

• Espaços fechados com aglomeração frequente (transporte público, agências bancárias, lotéricas e repartições públicas em horários de pico e instituições de ensino)
• Locais abertos quando houver aglomeração (pontos de ônibus, filas de atendimento de serviços públicos ou privados e ruas que funcionam como corredores comerciais)
• Serviços de saúde (hospitais, unidades de saúde e clínicas)

Qual máscara usar?

Qualquer pessoa que deseje continuar usando máscaras deve considerar que a melhor proteção é oferecida pelos modelos PFF2 ou N95. Embora sejam mais caras, elas podem ser reutilizadas — basta ter uma para cada dia da semana e deixá-las no varal após o uso (sem lavar).

A segunda opção são as máscaras cirúrgicas de três camadas ou a KN95. A primeira, todavia, tem menor vedação nas laterais, motivo pelo qual o CDC (agência de saúde dos Estados Unidos) recomenda o uso de uma máscara de tecido por cima.

As máscaras de tecido continuam sendo aliadas na proteção, mas desde que tenham duas ou três camadas e sejam higienizadas sempre após o uso.

R7