Anúncios
No Atlântico Norte, próximo à Groelândia, existe uma anomalia climática que intriga os cientistas há décadas: uma mancha de água fria em um oceano em aquecimento, diante da aceleração das mudanças climáticas.
Conhedida como “buraco de aquecimento”, “mancha fria” ou simplesmente “bolha fria”, a região tem registrado uma queda de temperatura próxima de 1°C nos últimos 150 anos. Até então, a hipótese mais aventada por pesquisadores era de que o rápido aquecimento do Ártico teria deslocado uma corrente atmosférica para o norte, alterando os padrões de vento sobre o Atlântico e favorecendo maior evaporação e perda de calor na superfície do oceano.
Anúncios
Mas, uma reportagem da DW destaca que um novo estudo publicado na Geophysical Research Letters foi buscar uma possível explicação sob as águas. A pesquisa reforça a hipótese de que a Circulação Meridional de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc, na sigla em inglês) pode estar desempenhando um papel fundamental.
A Amoc é sistema de correntes oceânicas que transporta água quente e salgada para o Atlântico Norte. Lá, ao esfriar, a água se torna mais densa, afunda e inicia um retorno em direção ao sul pelas profundezas do oceano, desempenhando um papel essencial no clima global.
Anúncios
Mas, com o aquecimento do planeta, o derretimento de gelo na Groenlândia está despejando uma grande quantidade de água doce no Atlântico Norte, reduzindo a densidade da água superficial e dificultando a dinâmica que sustenta a circulação das correntes, o que vem sendo levado muito a série pela comunidade científica e é fruto de inúmeros estudos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/L/K/d5c0wqTgCrdENUZWG3fg/amoc-scaled-2-1536x1106.jpeg)
Para investigar a “mancha fria” do Atlântico Norte e sua possível relação com as correntes do oceano Atlântico, uma equipe do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre Impactos Climáticos, na Alemanha, estudou a região a partir de dados coletados por satélites, boias e navios, em vez de depender apenas de modelos.
Os resultados mostraram que o resfriamento da água no local vai muito além da superfície, alcançando profundidades próximas de mil metros. Para os autores, esse padrão é difícil de explicar apenas por mudanças nos ventos ou na nebulosidade e se encaixa melhor com uma redução no transporte lateral de calor associada ao enfraquecimento da Amoc.
No entanto, Neil Fraser, da Associação Escocesa de Ciências Marinhas, destacou à DW que os dados ainda são limitados e que outras explicações não podem ser totalmente descartadas, como um possível fortalecimento da corrente norueguesa – um ramo da Amoc que poderia estar transportando calor para fora da região. “A mancha fria é consistente com um enfraquecimento da Amoc”, concluiu Fraser, “mas não é uma prova definitiva”.

Fonte: Um Só Planeta