13 de julho, 2024

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Incêndio em abrigo mata três crianças e uma mulher e deixa 13 feridos no Recife

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Quatro pessoas morreram e 13 ficaram feridas em um incêndio no Lar Paulo de Tarso, no bairro do Ipsep, na Zona Sul do Recife, na madrugada desta sexta (14). O abrigo acolhe crianças em situação de risco social encaminhadas por conselhos tutelares e pelo Juizado da Infância e Juventude. Entre os mortos, estão três crianças e um adulto.

O fogoe começou por volta das 3h. Até a última atualização desta reportagem, não havia sido informado o que provocou o incêndio.

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Entretanto, o diretor do abrigo acredita que um curto-circuito foi o que causou o acidente. O abrigo funcionava com alvará dos bombeiros em dia, segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Vítimas do incêndio

No final da tarde de sexta (14), a Secretaria Estadual de Saúde atualizou a situação de saúde das vítimas do incêndio:

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  • 17 vítimas, sendo 15 crianças e dois adultos;
  • Desse total, 4 pessoas morreram, sendo 3 crianças e 1 cuidadora;
  • Dos 8 pacientes que deram entrada no Hospital da Restauração (HR), 6 continuam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), intubados, em estado grave;
  • 2 crianças que estavam no HR foram transferidas para o Hospital Brites de Albuquerque, em Olinda. Elas na UTI, para “vigilância clínica”;
  • Das 4 crianças internadas no Hospital Geral de Areias, 2 foram transferidas para a UTI do Hospital Maria Lucinda, no bairro da Jaqueira;
  • As outras 2 crianças que inicialmente foram internadas no Hospital Geral de Areias foram encaminhadas para o IMIP, no bairro dos Coelhos;
  • A paciente adulta está em observação na emergência clínica do Hospital Geral de Areias.

De acordo com o Samu, duas pessoas morreram no abrigo: um garoto de idade não informada e uma cuidadora identificada como Margareth da Silva, de 62 anos. Duas meninas, também de idade não revelada, morreram quando estavam sendo levadas para o hospital.

Bombeiros foram acionados para controlar incêndio em abrigo, que deixou quatro mortos e feridos (Foto: Reprodução/WhatsApp)

Os nomes dos outros mortos e feridos não tinham sido informados até a última atualização desta reportagem. No entanto, segundo a direção do abrigo, as vítimas têm entre 2 e 11 anos.

No HR, local que mais recebeu crianças, alguns pais foram até a emergência para procurar os filhos. Segundo informações da unidade, a maioria dos pacientes ainda não havia sido identificada.

Combate ao fogo

Onze equipes foram ao local para controlar as chamas. As chamas também chegaram a atingir uma casa vizinha, mas ninguém ficou ferido nessa residência. Nove viaturas do Samu também foram acionadas.

Bombeiros atuaram no incêndio que deixou mortos e feridos em abrigo (Foto: Reprodução/WhatsApp)

Por volta das 6h, a corporação informou que o fogo estava totalmente controlado. O supervisor de Operações dos Bombeiros Lamartine Melo, afirmou que ao menos 15 crianças e duas cuidadoras foram retiradas do local.

“O fogo atingiu, principalmente, a sala e o terraço. Os quartos não foram atingidos pelo fogo, mas, sim, pela fumaça extremamente tóxica”, declarou.

Perícia

O Instituto de Criminalística (IC) esteve no Lar Paulo de Tarso. A perita criminal Magda Pedrosa informou que não foi possível fazer a perícia sobre as causas do incêndio. Segundo ela, o local ainda estava muito aquecido no início da manhã desta sexta.

Ela também disse que há uma preocupação com a estrutura do imóvel. Rachaduras podem surgir quando acontecer o esfriamento da estrutura.

“Então, é preciso aguardar algumas horas para realizar essa perícia. Fomos ao local apenas para periciar os corpos. A perícia do incêndio será realizada ainda hoje [sexta]”, afirmou.

Luto

Moradora do bairro há mais de 30 anos, Suellen mora na frente ao centro e contou o desespero dos moradores no momento do incêndio.

“Ouvi muita gritaria, eram umas 2h. O vizinho da frente arrombou e arrancou a grade. Terrível, sem palavras, foi muito feio”, disse Suelen.

Arthur Fagner mora ao lado do abrigo e ajudou a salvar vítimas do incêndio. “Foi a pior situação da minha vida”, afirmou.

Arthur Fagner mora em frente ao Lar Paulo de Tarso (Foto: Reprodução/TV Globo)

Uma das pessoas que morreu foi Margareth da Silva. O filho dela, Adjair da Silva, contou que a mãe era cuidadora.

“Fazia mais de dez anos que ela trabalhava aqui, desde antes de o lar mudar para cá. Ela sempre trabalhava à noite. Passou um tempo de manhã, mas quase sempre trabalhava à noite. Eu quero enterrar minha mãe o mais rápido possível”, afirmou.

A cuidadora de idosos Claudiana Santana é sobrinha de Margareth. Ela afirmou que falou com a tia na noite de quinta (13).

“Quando eu vi a notícia, pensei ‘meu Deus, é o Paulo de Tarso’. E ela foi trabalhar. Ela dizia que dava um cochilo de madrugada para organizar as coisas antes de a outra cuidadora chegar. Ela passou um tempo trabalhando de dia, mas disse que era muito cansativo e voltou para a noite. Ela falava muito das crianças, pedia para a gente orar por elas. Morreu fazendo o que amava”, declarou.

Por meio de nota, a governadora Raquel Lyra (PSDB) afirmou que Pernambuco “está de luto com o que aconteceu nesta madrugada no Recife, no Instituto de Caridade Lar Paulo de Tarso”. “Deixo a minha solidariedade às famílias das vítimas neste momento de muita dor”, disse.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), disse que a prefeitura vai fazer um projeto e doar o material para reconstrução do Lar Paulo de Tarso. Também disse que vai disponibilizar a estrutura de um espaço de acolhimento que deve ser inaugurado na próxima semana. Esse local vai levar o nome de Margareth da Silva, que morreu no incêndio.

“De forma imediata, disponibilizamos para a ONG um projeto para a recuperação dessa estrutura, assim como todo o material, a prefeitura vai fazer essa doação, e a gente também tinha uma casa de acolhimento que seria aberta na próxima semana, do município, e a gente está colocando à disposição para que todos que estavam abrigados e que precisam de um novo espaço”, afirmou.

Local do incêndio

O Lar Paulo de Tarso foi fundado em 1991. Segundo o site oficial, a organização não-governamental (ONG) recebe crianças e adolescentes encaminhadas pelos conselhos tutelares e Juizado da Infância e Juventude.

Eles ficam lá até conseguir retornar para a família de origem. Quando essa possibilidade é esgotada, são encaminhadas para famílias substitutas, por meio de guarda, tutela ou adoção. Na instituição, há programas de educação e acolhimento dos jovens.

Crianças e jovens que também são atendidos pelo abrigo vão ser transferidos para outras entidades.

O que diz o TJPE

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) afirmou que:

  • “fará tudo que estiver ao alcance para amenizar o sofrimento das vítimas dessa tragédia no Lar Paulo de Tarso”;
  • vai fazer uma “campanha para doação de alimentos, remédios, roupas, brinquedos e material de construção”;
  • “também prestará apoio psicológico às vítimas e ajudará na retirada da segunda via de documentos”;
  • “o momento é de dor, mas também de ações urgentes e de muita união”.

Ainda no texto, o TJPE informou que:

  • “os laudos sanitário, dos bombeiros e alvará de funcionamento estão em dia”;
  • “a administração das casas de acolhimento é de responsabilidade direta do município ou de ONGs, que recebem recursos das respectivas prefeituras”;
  • “ao TJPE cabe, juntamente com o MPPE, fazer fiscalizações periódicas. Se houver irregularidades, as providências cabíveis são tomadas”;
  • sobre o acesso dos parentes às crianças vítimas do incêndio, “está sendo avaliado, caso a caso, aqueles que podem realizar a visitação”;
  • “o acolhimento acontece quando a criança ou adolescente está em situação de risco junto à família biológica; se não houver restrição de visitas pelos familiares, o acesso será plenamente garantido”.

Fonte: G1

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