Homem é libertado após passar 15 anos na prisão nos EUA acusado pela morte de 5 crianças

Um homem que passou 15 anos preso nos Estados Unidos, acusado pelas mortes de cinco crianças em um incêndio em Detroit, foi solto após as acusações serem rejeitadas nesta quinta-feira (30), depois de uma investigação que encontrou má conduta por parte da polícia e promotores.

Juwan Deering não enfrentará um segundo julgamento, disse a promotora do condado de Oakland, Karen McDonald. Um juiz concedeu seu pedido para encerrar o caso uma semana depois que as condenações e sentenças de prisão perpétua de Deering foram anuladas por sua insistência.

Vestindo um terno de três peças, Deering, de 50 anos, entrou no tribunal algemado pela cintura, mas saiu dali como um homem livre, sem restrições.

“Tem sido uma batalha difícil. O sol não poderia raiar em um dia mais brilhante. Este é o mais brilhante dos dias para mim”, disse Deering momentos depois, enquanto membros da família so abraçavam em uma manhã sem nuvens.

Deering elogiou a nova promotora por seu trabalho “excepcional”.

“Eu disse a ela que era preciso muita força para ir contra o status quo”, disse ele.

McDonald, uma ex-juíza eleita em 2020, deu uma nova olhada no caso de Deering a pedido da Clínica de Inocência da faculdade de Direito da Universidade de Michigan.

Provas favoráveis, incluindo declarações de um sobrevivente do incêndio, não foram compartilhadas com o advogado de defesa antes do julgamento de 2006, e os jurados não sabiam que informantes na prisão receberam benefícios significativos por seu testemunho contra Deering, disse McDonald.

Deering insistia que era inocente em um incêndio que matou crianças em seu bairro em Royal Oak Township em 2000. Ninguém conseguiu identificá-lo como estando na casa. As autoridades da época disseram que o incêndio foi uma vingança por dívidas de drogas não pagas.

A promotora disse que uma dúzia de profissionais da lei determinaram por unanimidade na semana passada que não havia evidências suficientes para ligar Deering ao incêndio. A investigação entre 2000 e 2006 foi “totalmente comprometida por má conduta”, disse McDonald.

“Há apenas um remédio ético e constitucional”, disse ela ao desistir do caso.

Os estudantes de Direito estavam tentando conseguir um novo julgamento para Deering, argumentando que a análise do fogo foi baseada em “ciência mal executada”. Esses pedidos não foram bem-sucedidos nos tribunais de apelação de Michigan.

McDonald disse que é possível que o incêndio não tenha sido criminoso, como a equipe jurídica de Deering há muito afirma. Ela disse que a polícia estadual está investigando novamente.

“Uma vez que havia a crença de que [o fogo] foi ateado intencionalmente, aquilo precisava ser resolvido a todo custo”, disse Imran Syed, da faculdade de Direito.

Deering pode ser elegível a receber mais de US$ 700 mil (mais de R$ 3,8 milhões) do estado, sob uma lei que paga US$ 50 mil (pouco mais de R$ 272 mil) a cada ano passado na prisão, se novas evidências forem citadas em uma condenação injusta.

Fonte: Yahoo!

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