Faxineira de túmulos que viralizou com vídeos da rotina de trabalho realiza sonho de voltar a estudar

A jovem de 25 anos que trabalha como faxineira de túmulo e viralizou nas redes sociais com vídeos e postagens sobre a rotina da profissão realizou um dos seus sonhos que era voltar a estudar. Jaqueline Rodrigues tem mais de 11 mil seguidores no seu perfil no Instagram e quase 2 mil inscritos em seu canal do Youtube.

Há 13 anos nessa profissão que é uma tradição na família, ela conta ao mundo por meio das redes sociais o cotidiano de sua profissão e busca uma nova carreira, a de influencer digital. Mas, além disso, Jaqueline queria voltar a estudar. Esse sonho foi realizado graças a ajuda de uma campanha na internet.

As aulas do curso profissionalizante de administração e coaching começaram nesta semana. A jovem compartilhou a conquista com seus seguidores em uma postagem nesta sexta-feira (12).

“Eu tenho um Deus que cuida de mim em cada detalhe. Hoje dei início de um sonho, fazer um curso profissionalizante. Avante e feliz da vida com mais essa conquista.”

Voltar a estudar era um dos principais objetivos da jovem que sonha em ter a carteira assinada pela primeira vez. A baixa escolaridade é um dos obstáculos que Jaqueline enfrenta e como pode ser mudado com o curso de qualificação.

Jaqueline com a sua carteira de trabalho ainda em branco: "A baixa escolaridade é uma dificuldade pro primeiro emprego" — Foto: Arquivo pessoal

Jaqueline com a sua carteira de trabalho ainda em branco: “A baixa escolaridade é uma dificuldade pro primeiro emprego” — Foto: Arquivo pessoal

Tradição familiar

A atividade inusitada, que começou a desempenhar ao lado da avó quando a mãe ficou doente, atualmente é feita justamente com a mãe, que se recuperou de uma grave tuberculose intestinal. Uma tia também atuava no ofício de limpar túmulos no Cemitério da Saudade e a família se consolidou nesta área.

‘Faxineira de túmulos’ leva a rotina da profissão às redes sociais e sonha com carreira de influencer em Marília — Foto: Arquivo pessoal

‘Faxineira de túmulos’ leva a rotina da profissão às redes sociais e sonha com carreira de influencer em Marília — Foto: Arquivo pessoal

“Quando eu tinha uns 12 anos minha mãe ficou muito doente e precisei morar com a minha avó, que já trabalhava em cemitérios limpando túmulos. Pra ajudar no sustento da família, comecei a acompanhá-la na faxina de túmulos e também a seguir o meu avô, catando recicláveis”, conta a jovem, que também fez bicos de babá e faxineira.

‘Faxineira de túmulos’ leva a rotina da profissão às redes sociais e sonha com carreira de influencer em Marília — Foto: Arquivo pessoal

‘Faxineira de túmulos’ leva a rotina da profissão às redes sociais e sonha com carreira de influencer em Marília — Foto: Arquivo pessoal

Quando começou a ficar conhecida na cidade em sua profissão e a ser questionada por amigos sobre a “doideira”, como ela mesmo define, de ter o cemitério como local de trabalho, Jaqueline se transformou em Jaque.Alveres e criou perfis nas mídias sociais para falar de seu cotidiano profissional pouco comum.

“No Instagram, as pessoas começaram a perguntar: ‘Voce é doida de trabalhar num cemitério?’. Daí resolvi começar a contar o meu dia-a-dia, como era o meu trabalho, e a coisa cresceu. Hoje falo de tudo em minhas redes, falo de cachos, de beleza, de dicas, do dia-a-dia real, e claro, da faxina de túmulos”, explica a jovem, agora com o discurso de influencer.

Jaque ganhou seguidores, sua história rompeu barreiras – foi contada até em matéria no Weltspiegel, um dos principais sites de notícias da Alemanha – e ela resolveu sonhar com a carreira de influencer digital.

Como ainda não ganha a vida como influencer, a jovem segue faxinando túmulos e fazendo outros bicos, como o de monitora em buffet infantil.

Como Jaque Alveres, a mariliense de 25 anos se aventura no look de influencer digital: "Falo de tudo nas minhas redes, inclusive sobre faxina de túmulos" — Foto: Arquivo pessoal

Como Jaque Alveres, a mariliense de 25 anos se aventura no look de influencer digital: “Falo de tudo nas minhas redes, inclusive sobre faxina de túmulos”

“Ganhamos pouco [na faxina de túmulos], de R$ 30 a R$ 40 mensais para limpar o túmulo uma vez por semana, não dá pra sobreviver só disso. Ainda preciso ajudar minha mãe, que trabalha com isso mesmo tendo uma bolsa de colostomia que está com dificuldades para retirar por falta de vagas no SUS. Então, faço os bicos, pra ajudar minha mãe e porque ainda tenho outros sonhos”, diz a jovem.

Jaqueline e a mãe junto ao carrinho em que carregam todo material usado na limpeza dos túmulos: tradição de família — Foto: Arquivo pessoal

Jaqueline e a mãe junto ao carrinho em que carregam todo material usado na limpeza dos túmulos: tradição de família — Foto: Arquivo pessoal

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