EUA perderam mais crianças que policiais em serviço por armas de fogo em 2022

O número de crianças mortas a tiros dentro de escolas dos Estados Unidos é superior ao de policiais que faleceram após serem atingidos por disparos em serviço em 2022, de acordo com levantamento da revista americana “Newsweek”, que cruzou dados de sites especializados.

O site Officer Down Memorial Page (Memorial do Oficial Abatido, em português) contabiliza mortes de policiais em todo o país e presta homenagem por seus serviços. Segundo a página, 20 policiais foram mortos em 2022 após se envolverem em confrontos armados. Por outro lado, no mesmo ano, 24 alunos foram mortos por causa de tiroteios em escolas, segundo a Education Week, ONG americana especializada em informações sobre educação.

“Os tiroteios nas escolas – aterrorizantes para estudantes, educadores, pais e comunidades – sempre reacendem debates polarizadores sobre direitos de armas e segurança escolar”, consta do relatório da Education Week.

Cruzes foram colocadas na entrada da escola Robb, em Uvalde, no Texas (Foto: Reprodução)

De acordo com um relatório de jornalistas que participaram da Education Week, houve 27 tiroteios em escolas em 2022, e 119 no total desde 2018, quando começaram a rastrear esses incidentes.

Massacre no Texas e outros atentados

Presidente americano, Joe Biden, e a primeira-dama, Jill Biden, visitam entrada da escola de ensino fundamental Robb, em Uvalde, Texas — Foto: Marco Bello/REUTERS
Presidente americano, Joe Biden, e a primeira-dama, Jill Biden, visitam entrada da escola de ensino fundamental Robb, em Uvalde, Texas (Foto: Reprodução)

O tiroteio na Robb Elementary School – que resultou na morte de 21 pessoas, entre essas vítimas 19 crianças – elevou este índice. Com o massacre no Texas, o número de crianças mortas em tiroteios em escolas ficou superior ao de policiais mortos a tiros durante o trabalho.

Os outros tiroteios em escolas que elevaram o número total para 24 mortes incluíram um ataque na TangleWood Middle School, em Greenville, na Carolina do Sul, no último dia 31 de março.

Outro incidente que contribuiu foi o tiroteio na Eisenhower High School, Yakima, em Washington, no último dia 15 de março, que resultou na morte de um estudante e outro ferido.

Também houve um tiroteio na East High School em Des Moines, Iowa, no dia 7 de março, que resultou na morte de um menino de 15 anos e outras duas alunas.

O segundo tiroteio de 2022 que resultou na morte de um estudante ocorreu em South Education Center, em Richfield, no Minnesota, em 1º de fevereiro.

Um tiroteio do lado de fora do South Education Center deixou um estudante de 15 anos morto e um estudante de 17 anos gravemente ferido.

O primeiro incidente de 2022 que resultou na morte de um estudante foi na Oliver Citywide Academy, em Pittsburgh, Pennysvlania, em 19 de janeiro. O episódio resultou em um menino de 15 anos sendo baleado e morto enquanto esperava para ir para casa.

Biden sobre indústria de armas: ‘farto’

O presidente Joe Biden abordou a questão em um discurso na terça-feira (24). Ele disse que está na hora de os Estados Unidos enfrentarem a indústria de fabricação de armas. Biden também refletiu sobre a frequência de tiroteios em massa nos Estados Unidos em seu discurso.

“Faz 3.448 dias, ou 10 anos, desde que eu estive em uma escola secundária em Connecticut onde outro atirador massacrou 26 pessoas, incluindo 20 alunos da primeira série, na Sandy Hook Elementary School”, disse ele.

“Desde então, houve mais de 900 incidentes de tiros relatados nas dependências da escola. Marjorie Stoneman Douglas High School em Parkland, Flórida. Santa Fe High School no Texas. Oxford High School em Michigan. A lista continua”, disse Biden.

“Estou farto e cansado disso. Temos que agir. E não me diga que não podemos ter um impacto nessa carnificina”, disse Biden.

Fonte: Yahoo!