Engenheiros responsáveis por construção de laje morrem em desabamento no PR

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O desabamento de uma laje em uma obra em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, deixou dois mortos e três feridos. As vítimas que morreram foram os engenheiros civis responsáveis pela construção da estrutura.

Os corpos foram enterrados na tarde desta sexta-feira (23) em Foz do Iguaçu e em Ponta Grossa, nos Campos Gerais.

Um dos feridos tinha sido contratado recentemente pela empresa de concretagem de laje. Josival Ramalho de Lima tem mais de 25 anos de experiência na construção civil. Na manhã de quinta-feira (22), saiu de casa feliz, depois de ficar um bom tempo sem serviço durante a pandemia.

“Saí muito animado de casa. É a fase do concreto, abre mais frente de serviço “, contou o pedreiro Josival Ramalho de Lima.

Seria a primeira vez que ele trabalharia em uma obra pré-moldada, só não imaginava o susto que o esperava.

“Minha função era reguar [nivelar] o concreto. Ouvi um barulho, percebi trincar a laje. Falei pro Apolinário [mestre de obras] ‘acho que essa laje trincou’. Houve até um pouco de dúvida, mas aí os engenheiros desceram para ver. Fui até onde estava o meu colega, que está internado, para reguar o concreto daquele lado. Foi quando despencou. Despencou de uma vez só”, lembrou o pedreiro, Josival.

Ele machucou o joelho, as costas e teve uns arranhões no braço. Um dia depois do acidente, mesmo sentindo as dores da queda, o pedreiro não conseguiu ficar em casa. Pegou uma cadeira emprestada e sentou na frente da obra.

“A gente que é construtor há muito tempo se preocupa com qualquer detalhe da obra ainda mais em um situação dessa. Fiquei muito abalado, essa noite tive pesadelo, não consegui dormir direito”, disse Josival.

Apolinário é o mestre de obras que estava com os pedreiros em cima da laje no momento da queda. Ele só consegue lembrar do desespero ao ouvir os colegas pedindo socorro.

“Naquele momento só pensei em ajudar . Conseguiu tirar dois e um ficou preso entre a laje e a viga”, afirmou.

O engenheiro Alyson Ernani Gomes foi uma das vítimas do desabamento de laje em Foz do Iguaçu — Foto: Arquivo da Família/Divulgação
O engenheiro Alyson Ernani Gomes foi uma das vítimas do desabamento de laje em Foz do Iguaçu (Foto: Arquivo da Família/Divulgação)

Seis homens trabalhavam na concretagem da laje. O mestre de obras e mais seis pedreiros. Seria um trabalho de um dia, em cinco horas terminariam tudo. Quando o terceiro caminhão descarregava o cimento parte da laje desabou.

Dois engenheiros que estavam no piso de baixo ficaram presos aos escombros. Luciano Henrique Alves Klein Schmitt, de 43 anos, era dono da empresa contratada para fazer a laje e chefe de Josival.

“O patrão era muito gente boa, se preocupava com os funcionários, era uma pessoa humilde, se preocupava demais com a segurança dos funcionários, se todos usavam equipamento de segurança. Se faltava ou alguém não tinha, ele levava nas obras de forma imediata. Só se preocupava com a nossa segurança”, contou o pedreiro.

O corpo do empresário foi enterrado às 16h no cemitério São João Batista em Foz do Iguaçu.

Engenheiro e dono da empresa de concretagem, Luciano Henrique Alves Klein Schmitt, tinha 43 anos e morreu após desabamento — Foto: Arquivo da família/Divulgação
Engenheiro e dono da empresa de concretagem, Luciano Henrique Alves Klein Schmitt, tinha 43 anos e morreu após desabamento (Foto: Arquivo da família/Divulgação)

A outra vítima é Alyson Ernani Gomes, que tinha apenas 27 anos. A Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde ele se formou, publicou uma nota de pesar lamentando a morte do ex-aluno.

O corpo de Alysson foi enterrado no cemitério de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Entre os três pedreiros socorridos pelos bombeiros, apenas um segue internado no hospital municipal. Ele teve uma fratura na perna.

Para os sobreviventes, fica a gratidão pela vida e o sentimento de ter perdido dois companheiros da construção.

“O meu patrão deixou as filhas pequenas, a esposa entrou em choque. Agora fica a preocupação com as famílias deles. O Alysson estava começando agora a vida como engenheiro, um piá muito humilde. É triste perder a vida dessa forma”, encerrou o pedreiro.

Fonte: G1 – Foto: William Brisida/RPC

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