Dólar fecha em queda após alcançar R$ 3,90, de olho em cena política

O dólar fechou em queda, revertendo a alta que mantinha no fim dos negócios desta terça-feira (15), com investidores avaliando as implicações da nova rodada de buscas relacionadas à Operação Lava Jato, que envolvem o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acordo com a agência Reuters.

A moeda norte-americana caiu 0,24%, a R$ 3,8765, após subir nas três últimas sessões e acumular avanço de 4%. Na mínima do dia chegou a R$ 3,8506, e na máxima, a R$ 3,9031.

No mês de dezembro, o dólar acumula perda de 0,23%. Em 2015, no entanto, sobe 45%.

Acompanhe a cotação ao longo do dia:

Às 9h10, caía 0,58%, a R$ 3,8634.

Às 9h39, caía 0,22%, a R$ 3,8776.

Às 10h09, caía 0,19%, a R$ 3,8785.

Às 10h39, subia 0,02%, a R$ 3,887.

Às 10h50, subia 0,16%, a R$ 3,8924.

Às 11h19, caía  0,28%, a R$ 3,875.

Às 12h12, caía 0,59%, a R$ 3,8632.

Às 13h10, caía 0,36%, a R$ 3,8722.

Às 14h10, subia 0,02%, a R$ 3,8872.

Às 14h29, subia 0,35%, R$ 3,9001.

Às 15h, subia 0,39%, a R$ 3,9015.

Às 15h30, subia 0,08%, a R$ 3,8895.

Às 16h05, subia 0,23%, a R$ 3,8952.

Às 16h41, subia 0,10%, a R$ 3,8823.

O mercado apresentou baixo volume de negócios, com investidores evitando fazer grandes operações na véspera da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos. Juros mais altos nos EUA podem atrair para aquele país recursos aplicados hoje no mercado brasileiro, o que deve provocar a alta da moeda norte-americana.

Outro motivo de cautela é a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deve decidir sobre a tramitação do pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, marcada para quarta-feira.

“Não estão claras as consequências dessa ação (da Polícia Federal), é um debate que está percorrendo o mercado. Quando a política é o ‘driver’, a situação fica menos previsível e o resultado é volatilidade”, resumiu à Reuters o operador de uma gestora de recursos internacional, sob condição de anonimato.

A PF realizou nesta manhã ação para cumprir mandados de busca e apreensão em residências de Cunha, de dois ministros e de outros políticos.

Cunha tem encabeçado a campanha pelo impeachment de Dilma, algo visto como positivo no mercado de maneira geral. Por outro lado, ele também tem dificultado a aprovação de medidas de austeridade fiscal na Câmara, piorando a perspectiva econômica para o Brasil.

Cenário político

De acordo com a agência Reuters, uma fonte do Palácio do Planalto disse nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff decidiu que a meta de superávit primário do setor público consolidado de 2016 não será de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), como defende o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e que deve ficar abaixo de 0,5%.

Ainda no front político, no início da tarde o Conselho de Ética da Câmara aprovou parecer preliminar que dá prosseguimento ao processo contra Cunha que pode resultar na cassação de seu mandato.

A notícia vem um dia antes de sessão do STF que definirá a validade da eleição de membros da comissão especial da Câmara que analisará a abertura do processo de impeachment.

Nos mercados externos, o dólar tinha um dia mais tranquilo após diversas sessões de aversão ao risco, com a alta dos preços do petróleo nutrindo o apetite por ativos de mercados emergentes.

O centro das atenções, porém, é a reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, que deve anunciar na quarta-feira o primeiro aumento de juros em quase uma década.

“O mercado dá como fato que o Fed vai subir juros amanhã. Mas é um evento importante e é normal que o mercado trabalhe com um pouco mais de cautela enquanto isso não se confirma”, disse à Reuters o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Últimas sessões

Na véspera, o dólar subiu 0,32%, a R$ 3,8862 para venda, após atingir R$ 3,9250 na máxima do dia e voltar ao patamar de R$ 3,90 no intradia depois de duas semanas.

Nas duas últimas sessões, a moeda norte-americana já havia subido quase 2% em cada. No mês, o dólar tem leve queda de 0,01%. No ano, há valorização de 46,17%.

Intervenção do BC

O Banco Central fará nesta tarde leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra, em uma operação que não tem como fim a rolagem de contratos já existentes.

Pela manhã, o BC também deu sequência à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem à venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 6,019 bilhões, ou cerca de 56% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.

Fonte: G1

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