Cacique Raoni se encontra “estável” após receber transfusão de sangue

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O emblemático cacique Raoni Metuktire, de 90 anos, se encontra “estável” após receber uma transfusão de sangue em um hospital do Mato Grosso, onde permanece internado, informou neste domingo (19) seu instituto.

O chefe da etnia Kayapó está hospitalizado desde quinta-feira, quando foi levado de sua aldeia para um hospital com sintomas de fraqueza, falta de ar, falta de apetite e diarreia.

“O cacique apresenta um quadro estável, depois de ter recebido uma transfusão de sangue”, e exames estão sendo feitos para determinar a natureza do “sangramento digestivo”, suspeito de estar provocando o mal-estar, informou neste domingo o Instituto Raoni.

Os testes de detecção da COVID-19 realizados em Raoni deram negativo, havia informado o hospital da pequena cidade de Colíder, a 630 km de Cuiabá, para onde o cacique foi levado inicialmente.

Após um agravamento de seu quadro no sábado -com alta em sua anemia e uma degradação das funções renais-, Raoni foi transferido para um hospital de Sinop, com melhor infraestrutura para exames e unidade de tratamento intensivo, como precaução para uma eventual piora do estado clínico.

Os sintomas do líder indígena apareceram pela primeira vez após a morte da esposa, Bekwyjka, no fim de junho.

O falecimento da esposa, que esteve ao seu lado por mais de seis décadas e foi vítima de um derrame cerebral, deixaram Raoni emocionalmente fragilizado, de acordo com relatos familiares à ONG francesa Planète Amazone, que coordena a campanha internacional do cacique.

Famoso pelos coloridos cocares de plumas e o grande disco inserido no lábio inferior, Raoni viajou o mundo nas últimas décadas para aumentar a consciência sobre a ameaça que a destruição da Amazônia representa para os povos indígenas.

Desde que o presidente Jair Bolsonoro assumiu o poder, em janeiro de 2019, Raoni redobrou as denúncias de ataques contra os povos nativos do Brasil.

Em entrevista recente concedida à AFP, Raoni afirmou que Bolsonaro quer “se aproveitar” da pandemia para impulsionar projetos que ameaçam os povos indígenas, que têm um histórico de vulnerabilidade a doenças externas.

Mais de 16.000 indígenas foram contaminados e 535 morreram por causa do novo coronavírus no Brasil, segundo a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB). Os dados causam temor entre os cerca de 900.000 indígenas que vivem em diferentes regiões do Brasil.

Outro líder indígena emblemático do país, o chefe Paulinho Paiakan, morreu em junho depois de ser contaminado pela COVID-19.

Fonte: Yahoo!

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