Botucatu: Professora é vítima de ataques racistas em grupo de WhatsApp: “raça nojenta”

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A enfermeira aposentada da Unesp de Botucatu e professora de um curso técnico de enfermagem na cidade, Luzia Aparecida Martins da Silva, de 56 anos, e o coordenador do mesmo curso, José Carlos Camargo, de 53 anos, registraram um boletim de ocorrência por injúria racial nesta terça-feira (6).

Os dois sofreram ofensas racistas de uma aluna que estava descontente com as aulas e enviou mensagens de áudio em um grupo do WhatsApp mantido por estudantes.

Segundo Luzia, os áudios foram revelados no dia 1º de março, quando José Carlos recebeu uma mensagem de outra aluna contando o ocorrido e dizendo que se sentia indignada com o que havia ouvido, não só pelo teor absurdo das ofensas, mas por ela também ser negra.

Ao ouvir os áudios, José relata que a aluna que fez as ofensas diz que “dar poder a negro dá nisso”, se referindo à postura da professora em sala de aula, e xinga a docente e o coordenador usando as palavras “raça nojenta”.

A aluna que gravou os áudios havia feito uma reclamação ao coordenador no dia anterior sobre os métodos de ensino utilizados por Luzia nas aulas online e alegou que a professora destinava um tratamento diferente entre os alunos que já estavam matriculados na turma e os que estavam chegando no curso, segundo José Carlos.

Foi então que o coordenador combinou com a aluna de fazer uma reunião no dia seguinte, 1º de março, para conversar com a professora e também com todos os outros alunos durante o horário da aula no período da manhã.

Durante a reunião, ele conta que percebeu que a situação se tratava, na verdade, da dificuldade da aluna de acompanhar o ensino remoto e disse aos alunos que era preciso se adaptar as circunstâncias apesar dos obstáculos do ensino virtual, eles fariam o possível para viabilizar o bom andamento das atividades do curso com o intuito de buscar uma solicitação pacífica para o conflito.

“Percebi que o problema em si não era a metodologia e nem nada, era especificamente a dificuldade que essa aluna tinha de estar aprendendo por ser o modo remoto e eu expliquei que no momento da pandemia era a única forma de dar continuidade a esse curso. E que, infelizmente, não tinha outro jeito e eles precisavam se adequar a essa nova realidade que o Brasil e o mundo está passando e a professora deixou bem claro que estava aberta a críticas e a mudanças.”

A reunião foi encerrada e tudo parecia ter sido resolvido, já que nenhum aluno teve dúvidas ou se manifestou. No entanto, a aluna que havia feito a queixa enviou mensagens ao grupo de WhatsApp com outras alunas discordando da postura do coordenador utilizando ofensas racistas para se referir a postura dele e da professora.

“Eu fiquei muito incomodado e muito chateado, ela ofendia a mim diretamente e a professora também por nós sermos negros, estarmos lecionando e termos uma posição de destaque. Fiquei extremamente magoado, não só eu como a minha família, principalmente minha filha que tem a mim como exemplo e está estudando para lecionar e ser uma futura profissional da saúde. A gente acha que isso não pode parar por aí. Como alguém que está estudando para ser uma profissional de saúde faz uma discriminação dessa?”, explica o coordenador.

A professora conta que também tentou fazer a denúncia para a instituição onde o curso é realizado, mas eles disseram que como o caso não ocorreu durante as aulas, eles não poderiam intervir.

“Isso aconteceu na quinta-feira, dia 1º, e você não tem noção de como eu passei o fim de semana. Se a outra aluna não estivesse nos reportado sobre esse grupo paralelo nunca saberíamos o que aconteceu. Foi uma confusão causada por nada. Eles disseram que como o caso ocorreu fora da escola, eles não poderiam tomar nenhuma medida ou punir a aluna.”

O caso foi registrado como injúria racial e está sendo investigado pela Polícia Civil, que informou que as partes devem ser intimadas nos próximos dias para prestar esclarecimentos.

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