Botucatu: Grupo de mulheres “Unidas na Política” repudia abuso cometido pelo deputado Fernando Cury na Assembleia

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O Unidas na Política – União de Mulheres na Política de Botucatu, um grupo pluripartidário, divulgou nesta sexta-feira, 18, um manifesto repudiando o ato de abuso sexual praticado pelo Deputado Estadual Fernando Cury (Cidadania) contra a deputada Isa Penna (PSOL), na última quarta-feira, 16, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

O manifesto ressalta o esforço coletivo para inclusão política das mulheres, embora continue ocorrendo abusos: “Numa sociedade em que as mulheres são tratadas como objetos, cujos corpos devem estar constantemente à disposição dos homens, a violência contra as mulheres se expressa por meio de atitudes tais como esta protagonizada por Fernando Cury durante o expediente que estava sendo filmado”.

Confira a íntegra do documento

As mulheres de Botucatu repudiam o racismo e o machismo

Nós, da União de Mulheres na Política em Botucatu, repudiamos o machismo e o racismo que as mulheres democraticamente eleitas vem sofrendo em nossa região. Primeiro a grave ameaça de morte sofrida pela prefeita recém eleita na cidade de Bauru Suéllen Rosim, que foi ameaçada pelo fato de ser mulher e negra. Ontem, dia 17 de dezembro de 2020, vem a público fato grave envolvendo o deputado Fernando Cury que é flagrado por um vídeo gravado na Assembleia Legislativa de São Paulo onde ele aparece passando a mão no seio e encostando na deputada estadual Isa Penna, durante sessão extraordinária para votar o orçamento do estado. No vídeo divulgado hoje por diversos órgãos de imprensa é possível ver o deputado Fernando Cury (Cidadania) conversando com outro deputado antes de partir para o assédio. Ele encosta na deputada Isa Penna por trás e a segura com as mãos nos seus seios. Depois disso, ele é repelido por Isa, que fica visivelmente consternada.

Embora as mulheres cada vez mais se insiram na vida pública por meio do mercado de trabalho e da insistência em participar da política institucional por meio de candidaturas e mandatos, essa presença tem sido acompanhada de violência tais como o assédio moral e sexual. Numa sociedade em que as mulheres são tratadas como objetos, cujos corpos devem estar constantemente à disposição dos homens, a violência contra as mulheres se expressa por meio de atitudes tais como esta protagonizada por Fernando Cury durante o expediente que estava sendo filmado.

Nós mulheres da União de Mulheres na Política em Botucatu queremos que a política institucional seja um espaço plural, participativo e inclusivo. Entendemos que a Política deve ter como objetivo garantir direitos e justiça social. É revoltante ver um deputado eleito em seu ambiente de trabalho, cujo salário é pago com os impostos de milhares de trabalhadores, votar não apenas pela flexibilização de direitos dos trabalhadores, mas também de forma evidente, desrespeitar uma mulher. Da mesma maneira, não recuaremos diante de ameaças machistas e racistas que querem nos tirar dos espaços públicos de comando. Nosso lugar é na Política!

Estes tipos de violência contra as mulheres geram, por sua vez, a baixa representação feminina na política. Ao serem consultadas sobre o porquê de não se candidatarem a cargos eletivos, como para prefeita ou para vereadora, as mulheres alegam medo de enfrentar um ambiente bastante machista, conservador, agressivo e competitivo. Ao deixarmos que casos como estes fiquem invisíveis e impunes, perpetuamos essa prática e impedimos que as mulheres se empoderem para participar das decisões importantes nos governos. A participação na política de todos os setores da sociedade e grupos ditos minoritários, é fundamental para uma democracia real. Se somos a metade da população porque ainda somos apenas 10% nas câmaras legislativas ou nos cargos majoritários?

Até quando aceitaremos este tipo de conduta? Quando os órgãos legais farão valer as leis contra a ameaça, assédio e violência contra as mulheres? Exigimos investigação das ameaças com conteúdo racista contra Suéllen Rosim. Igualmente, não podemos tolerar que na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e em nenhum outro espaço o assédio seja praticado. Como sociedade “civilizada”, precisamos mostrar que as mulheres podem e devem ocupar a política, pois não serão mais violentadas, agredidas, ameaçadas ou assediadas. Sem isso, nossa sociedade nunca será igual em direitos.

Continuaremos sendo um dos países mais machistas e perigosos para mulheres e para aqueles que buscam justiça.

A União de Mulheres na Política em Botucatu manifesta sua solidariedade e exige que o fato seja investigado, julgado e a lei seja cumprida.

Mexeu com uma, mexeu com todas!

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