Bom Prato Saúde melhora a qualidade de vida de pacientes e acompanhantes do Hospital das Clínicas de Botucatu

Enxergar o ser humano como um todo é um desafio de qualquer instituição médica. E para contribuir com o bem-estar geral das pessoas que frequentam o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), foi inaugurado, no último dia 3 de dezembro, o restaurante Bom Prato Saúde, o 1º do Estado de São Paulo. Essa obra que faz parte do programa de segurança alimentar do Governo do Estado de São Paulo, e visa atender as pessoas de mais de 70 cidades de todo o Estado, que buscam atendimento médico no HCFMB. O restaurante trouxe para os usuários a possibilidade de fazer refeições completas e saudáveis a baixo custo, o que favorece as pessoas carentes que diariamente vêm se tratar no Hospital.

O benefício para os pacientes e acompanhantes, que antes tinham que trazer lanches de casa ou optar por comer em lanchonetes, é ressaltado nos números de atendimento diário: são 300 cafés da manhã e 1.500 almoços servidos. Silvana Dias (52), dona de casa, que faz tratamento dermatológico e de mama há três anos no Hospital das Clínicas, conta como se sente com a abertura do restaurante: “Antes, eu não comia nada quando vinha da minha cidade, que é Itaporanga. Agora, estou comendo, o que melhorou muito para mim como paciente, já que é uma comida caseira e bem-feita. Sou bastante criteriosa com alimentos, por ter algumas restrições médicas, mas aqui eu comi muito bem”, diz.

Para Donizete Russo (53), desempregado, e Antônia França (76), doméstica, o Bom Prato melhorou a situação mesmo das pessoas de Botucatu que precisam passar o dia no hospital por conta de consultas e exames. “Há muitos anos venho aqui, meus filhos todos nasceram aqui, mas hoje é diferente. Antes, se tínhamos dinheiro, nós conseguíamos comprar algo para comer, mas no restaurante a comida é barata e de qualidade”, ressalta. Russo complementa “A refeição é uma delícia, hoje teve feijoada. Parece comida caseira e o ambiente é bem limpinho”, afirma.

Já para Cláudio Correa (47), ajudante geral, morador de Bofete, o preço é um fator importante a ser considerado. “Faço tratamento de pré-diálise há um ano e sempre vinha com dinheiro, comia nas lanchonetes, mas achava caro. Agora, com o restaurante, ficou mais barato comer bem. Já vi muita gente que não tinha dinheiro e trazia lanche ou ficava sem comer nada”, conta.

A gestora do restaurante Bom Prato, Regina Augusto, explica que a intenção é atender cada vez mais pessoas, mantendo a qualidade. Ela ressalta que os resultados vêm sendo muito positivos ao longo desses quase 15 dias de atendimento. “Nós estamos muito satisfeitos, afinal, segundo os técnicos da Secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, que nos acompanharam até dia 9, essa unidade superou todas as expectativas. Geralmente, os restaurantes Bom Prato atingem sua meta de atendimento em 2 meses. O Bom Prato Saúde de Botucatu atingiu a meta em dois dias. Isso só mostra o quanto a população que vem aqui no Hospital das Clínicas precisava desse restaurante”, afirma. Regina disse que já está pleiteando junto à Secretaria de Desenvolvimento Social o aumento do número de refeições servidas, querendo atingir, em 2016, 1.800 almoços e 500 cafés da manhã.

Outro ponto importante que Regina ressalta é o atendimento diferenciado que os clientes prioritários têm no restaurante. “Nossas regras para determinar quem recebe atendimento prioritário é identificar as pessoas que têm problemas de saúde mais ostensivos, pacientes no geral e seus acompanhantes. Nós os retiramos da fila e damos preferência para atendê-los. Muitos deles não conseguem se servir, então os deixamos na mesa, montamos o prato e levamos até eles. A gratidão e alegria em receber esse tratamento mais humano e carinhoso é emocionante. Alguns chegam a beijar as mãos das atendentes”, conta comovida.
Ela também elucida que algumas regras devem ser respeitadas no restaurante. “Nós seguimos algumas normas que acabam gerando um pouco de confusão na população. Por exemplo, a comida deve ser consumida aqui dentro do restaurante, não podemos autorizar a saída de nada que produzimos, por questões sanitárias. Aconteceu de uma senhora querer levar comida para o filho que estava internado e isso não podemos permitir”, comenta.

Outro ponto que precisa de esclarecimentos é quanto ao horário e quantidade de refeições. “Nós começamos a atender para o almoço por volta das 10h30, e fechamos às 14 horas ou quando atingimos a cota de 1.500 refeições. Muitas pessoas vêm aqui após o encerramento da nossa cota, mas antes das 14 horas, e nos questionam, dizendo que temos que atendê-las, mas não podemos. Estamos trabalhando para aumentar nossa capacidade, mas, por enquanto, só podemos fornecer essa quantidade de refeições por dia”, observa Regina.

O deputado estadual Fernando Cury, responsável por articular, desde 2012, um abaixo-assinado com aproximadamente 40 mil assinaturas junto lideranças regionais, que resultou na implantação do 1º Bom Prato Saúde do Estado de São Paulo, também se comprometeu a fazer articulações junto ao Governo do Estado de São Paulo para ampliar a oferta de refeições no restaurante popular em Botucatu. “Temos percebido que, neste início, a demanda tem sido maior que a oferta de refeições. Faço questão de lutar essa luta junto com a Regina, do Instituto J.Augusto, para sensibilizar o Governo do Estado sobre a necessidade de aumentar o número de refeições no Bom Prato Saúde de Botucatu”, afirma.

O restaurante Bom Prato Saúde fica no campus da Unesp, em Rubião Júnior, e serve 300 cafés da manhã, ao custo de R$0,50 cada, das 7 às 9 horas. Já no horário do almoço, que começa por volta das 10h30, são servidas 1,5 refeições, ao custo de R$ 1,00 cada.

Fonte: 4 Toques

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