Biden reconhecerá que massacre de armênios foi genocídio, diz imprensa

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O presidente Joe Biden deve reconhecer, no próximo sábado, que a morte de 1,5 milhão de armênios sob o Império Otomano entre 1915 e 1923 se tratou de um genocídio, em uma posição que deve enfurecer o governo da Turquia. A ideia já é ventilada por Biden há alguns anos, e na campanha presidencial ele se comprometeu a levar adiante uma resolução determinando que houve de fato um genocídio.

Em março, Ian Bremmer, presidente do Grupo Eurasia, disse que a decisão sobre o reconhecimento já havia sido tomada, algo confirmado por integrantes do governo em novas declarações à imprensa americana nesta quarta-feira.

A data escolhida, 24 de abril, marcou o início do que historiadores apontam como uma migração forçada de armênios, sob o Império Otomano, cenário de atos de violência, execuções e atrocidades, que provocaram a morte de até 1,5 milhão de pessoas. De acordo com o Wall Street Journal, ele deve usar as palavras “deportações”, “fome” e “massacres”, uma linguagem que outros presidentes não utilizaram em ocasiões semelhantes. A Casa Branca não confirmou a intenção de Biden.

Caso se confirme a declaração, os EUA se juntarão a outros 29 países que já reconhecem o genocídio armênio em pelo menos uma esfera de poder, incluindo a Rússia, Uruguai, Venezuela, Síria e Suíça. Em 2015, o Senado brasileiro reconheceu os eventos iniciados em 1915 como genocídio — em resposta, a Turquia convocou o embaixador no Brasil e chamou a decisão de “exemplo de irresponsabilidade”. O Congresso dos EUA adotou resolução semelhante em 2019.

Antes mesmo do discurso de Biden, o governo da Turquia apontou que qualquer medida relacionada ao reconhecimento do genocídio armênio poderia abalar ainda mais os laços entre os dois países.

— Declarações que não tem validade legal não trazem benefícios, mas vão afetar os laços — declarou o chanceler Mevlut Cavusoglu, na terça-feira — Se os EUA querem piorar os laços, a decisão é deles.

Mesmo antes da chegada de Joe Biden ao poder, as relações entre Ancara e Washington já se encontravam em um dos piores momentos dos últimos anos. A recente compra do sistema de defesa aéreo russo S-400, visto como uma ameaça ao compromisso turco dentro da Otan, e a retirada do país do programa de aviões de caça F-35 são o principal ponto de atrito, mas ainda há questões em aberto sobre a atuação na Síria, sobre a democracia na Turquia e a situação de segurança no Mar Mediterrâneo.

Um passo neste sentido por parte de Biden pode ser visto como um ato agressivo pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan — os dois ainda não conversaram por telefone.

A Turquia rejeita a classificação dos eventos iniciados em 1915 como genocídio, reconhecendo a existência de atos de violência entre cristãos armênios e turcos muçulmanos, ligados a um levante no contexto da Primeira Guerra Mundial e que, na visão de Ancara, deixou um número de mortos bem menor do que 1,5 milhão.

Fonte: G1

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