Astrônomo divulga imagem de galáxia em espiral feita com dados do supertelescópio James Webb

Depois da divulgação das suas primeiras fotos científicas oficiais na última semana, uma nova imagem do supertelescópio James Webb está surpreendendo astrônomos pelo mundo.

Ela revela os mistérios da galáxia em espiral NGC 628, já observada pelo telescópio Hubble em outros momentos, mas não nesse novo nível de detalhes que o maior telescópio espacial já lançado pela ciência é capaz de enxergar.

Composição da galáxia em espiral NGC 628 feita pelo astrônomo Gabriel Brammer com dados do James Webb. — Foto: Composição a cores: Gabriel Brammer (Cosmic Dawn Center, Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhague). Dados brutos: Janice Lee et al. and the PHANGS-JWST collaboration.
Composição da galáxia em espiral NGC 628 feita pelo astrônomo Gabriel Brammer com dados do James Webb. (Foto: Composição a cores: Gabriel Brammer (Cosmic Dawn Center, Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhague). Dados brutos: Janice Lee et al. and the PHANGS-JWST collaboration)

A imagem colorida, uma composição de diversos dados divulgados por um projeto de pesquisa do Space Telescope Institute (órgão responsável por realizar as observações, calibrar os instrumentos e armazenar os dados do Webb e de outros telescópios), foi feita pelo astrônomo Gabriel Brammer, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Gabriel, que não está envolvido diretamente com a equipe do supertelescópio, conta que já estava animado para observar esses dados, mas que decidiu focar nessa galáxia em específico porque tinha uma suspeita que a imagem que formaria seria “maravilhosa”.

“O James Webb está divulgando agora esses tipos de imagens. É um formato único, em preto e branco. Então tudo o que fiz foi baixar esses dados e combiná-los em uma imagem colorida com um software que usamos para astronomia”, diz o cientista.

Imagem da mesma galáxia feita pelo telescópio Hubble. — Foto: NASA/Divulgação
Imagem da mesma galáxia feita pelo telescópio Hubble. (Foto: NASA/Divulgação)

Gabriel revela que montar essas imagens numa só foi algo “simples”. O que ele fez foi combinar quatro diferentes fotografias feitas por um dos instrumentos do Webb, chamado de Mid-Infrared Instrument, uma espécie de “câmera” que observa o universo em infravermelho (espectro que os nosso olhos não conseguem enxergar), e designar um coloração específica para cada.

“Como essas são imagens em infravermelho, ou seja, algo que os nossos olhos não conseguem ver e nunca conseguirão, o que eu fiz foi tomar uma certa liberdade artística”, conta o astrônomo.

Cor roxa é ‘falsa’, mas revela estruturas nunca vistas

Como explica o astrofísico brasileiro Rogemar Riffel, que não teve relação com esse trabalho, todas as imagens astronômicas são de “cor falsa”: uma vez que não conseguimos atribuir diretamente um cor para esse tipo de imagem, determinadas colorações são escolhidas para realçar as estruturas de uma foto astronômica.

“E isso aconteceu inclusive nas imagens anteriores do James Webb, ou até mesmo do Hubble. Não é algo que a gente observaria a olho nu. São utilizados filtros que mostram, por exemplo, a emissão de gases, de poeira. Aí depois se cria imagens coloridas, em RGB, por exemplo. Mas a cor é sempre falsa. Lamento decepcionar”, conta Riffel, aos risos.

E são justamente esses gases e nuvens de poeiras que aparecem em roxo na imagem que dão uma característica singular a essa galáxia a 32 milhões de anos-luz da Terra.

A NGC 628, também chamada de Messier 74, é uma galáxia em espiral perfeitamente simétrica, ou seja, estrelas, gases e toda a poeira que a formam estão alinhados em braços espirais que se espalham para fora desse sistema. Gabriel explica que se pudéssemos observar a nossa própria Via Láctea “de uma espaçonave a milhares de anos-luz da Terra”, teríamos uma visão semelhante.

Mas como toda essa poeira é um problema para telescópios que observam a luz visível [como na imagem do Hubble acima], a novidade que essa imagem do Webb traz é que agora conseguimos observar essas regiões mais empoeiradas e todas as estruturas escondidas dentro dessa nuvem.

Imagem da M74 feita pelo telescópio Spitzer. — Foto: NASA/JPL-Caltech/B.E.K. Sugerman (STScI)
Imagem da M74 feita pelo telescópio Spitzer. (Foto: NASA/JPL-Caltech/B.E.K. Sugerman (STScI)

“A gente consegue ver uma riqueza de detalhes na imagem do Webb. Uma assinatura dos braços espirais muito bem definida. E são justamente nesses braços onde as estrelas se formam”, diz Riffel.

Riffel explica ainda que embora o Webb não tenha sido o primeiro observatório espacial da Nasa que conseguiu enxergar em infravermelho essa galáxia em específico, visto que o Spitzer, aposentado em janeiro do ano passado também fez um registro (veja imagem acima), o supertelescópio vai ser muito útil para a ciência entender como as estrelas se formam em regiões do Universo escondidas por essas camadas de poeira.

“E entender como as estrelas se formam, implica também em entender como o nosso próprio sistema planetário e o nosso próprio Sol se formou”, diz.

Como o Webb consegue enxergar o passado? Veja no infográfico abaixo

Por que enxergamos o passado quando olhamos para as estrelas? — Foto: Arte g1
Por que enxergamos o passado quando olhamos para as estrelas? — Foto: Arte g1

Fonte: G1

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