Amor e limites: até onde vai a influência dos avós na educação das crianças?

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É comum ouvir por aí que ser avó é ser mãe com açúcar. De fato, a delícia de ver os próprios filhos construindo suas famílias é indiscutível, entretanto, seu papel na vida do neto tem mudado bastante nas últimas décadas. De acordo com a psicóloga ANDREA LORENA, especializada em terapia familiar pela Universidade de São Paulo (USP), aquela ideia de que a convivência entre avós e netos é maléfica para as crianças, pois elas são “estragadas” por estes adultos não existe mais.

“Caiu a história de que o avô faz as vontades. Muito por conta da proximidade das idades. Eles têm bastante INFLUÊNCIA e são exemplo de EDUCADORES. Os pequenos passam um grande tempo ao lado deles, pois os pais trabalham fora e não são mais aqueles que fazem tudo”, explica Andrea.

Cada vez mais ATIVOS em suas respectivas vidas, os avós têm deixado mais do que doces lembranças para os também herdeiros. Eles fazem parte do universo particular desta criança que, aos poucos, vai sendo estendido.

Foto: Mark Bowden/iStock

Essa relação de TRÊS LADOS precisa ser forte e muito respeitosa, principalmente quando os pais não estão presentes. Inevitavelmente, vai haver o CONFLITO ENTRE GERAÇÕES, que vai estar sempre presente nas famílias. Os avós, mesmo tendo mais experiências de vida que os filhos, não podem se esquecer (e, muitas vezes, passar por cima) que as decisões são tomadas por eles.

“Os avós têm um discurso preparado e podem acabar brigando. É preciso coloca limites nesta relação. Não pode cada um falar uma coisa, a criança fica perdida”.

PENSAMENTO CONCORDANTE

Segundo Andrea, a situação ideal deste triângulo é os avós poderem cuidar dos netos e terem, sim, influência sob eles. “O pensamento tem que estar em concordância”, aponta a especialista.

O que mais comumente acontece é quando, na casa da vovó, por exemplo, pode assistir TV até mais tarde, enquanto em casa, não. “Os avós NÃO PODEM DESAUTORIZAR OS PAIS, principalmente, na frente da criança”.

Mesmo em situações banais como no exemplo citado, é significativo respeitar a fala dos pais. Andrea conta que, nestes casos, o pai e a mãe ficam enfraquecidos. “As crianças vão para oLADO MAIS PERMISSIVO, não porque elas são más, mas porque é mais interessante para elas”.

Ou seja, se este contexto está acontecendo na sua casa, não culpe seu filho. Ele NÃO ESTÁ TE DESAFIANDO. “Os pais podem se sentir desrespeitados. Aqueles mais emocionalmente frágeis podem ter problemas com a autoestima”. Seu pequeno não deixou de te amar e admirar, está apenas confuso. “Ele fica SEM LIMITES, não sabe quem obedecer”.

Foto: Fuse/Fuse

LIMITES, SEMPRE ELES

A culpa, entretanto, não está apenas com os avós, porque quem deve DELINEAR OS LIMITES são os pais. “A conversa é diretamente com eles. As crianças só vão colher os frutos”.Se na sua frente tudo parece bem, mas quando você sai, o avô burla as regras combinadas, não se preocupe: de alguma forma, seu filho vai demonstrar que isso está acontecendo. “Os pequenos são muito sinceros. Você acaba percebendo diretamente na fala e no comportamento deles”.

Para evitar conflitos ainda maiores, a psicóloga recomenda que, se necessário, cada cônjuge converse com seus respectivos pais. “O segredo é a BOA COMUNICAÇÃO. Se for de maneira assertiva, acaba sempre funcionando”.

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