07 de julho, 2026

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Estudo vê economia com teste genômico no câncer de mama

Estudo vê economia com teste genômico no câncer de mama

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Um estudo brasileiro apresentado na edição deste ano do congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), principal evento mundial de oncologia, aponta que a incorporação do teste genômico Oncotype DX Breast Recurrence Score® à saúde suplementar pode gerar economia de até US$ 26,7 milhões em cinco anos e reduzir significativamente o número de mulheres submetidas à quimioterapias desnecessárias no tratamento do câncer de mama em estágio inicial.

Publicado na revista científica JCO Global Oncology, da própria ASCO, o trabalho avaliou o impacto orçamentário da adoção do exame em pacientes com câncer de mama inicial do subtipo hormônio-positivo (RH+) e HER2-negativo, a forma mais comum da doença. O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições brasileiras de referência em oncologia e utilizou um modelo econômico desenvolvido especificamente para a realidade da saúde suplementar do país.

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Segundo a análise, a utilização do teste para auxiliar a decisão terapêutica pode gerar economia entre US$ 19,3 milhões e US$ 26,7 milhões ao longo de cinco anos, dependendo do grau de incorporação da tecnologia pelas operadoras de saúde. Os resultados indicam que a redução dos custos associados à quimioterapia, aos efeitos adversos do tratamento e ao manejo de suas complicações é capaz de compensar total ou parcialmente o investimento necessário para a realização do exame.

"O estudo demonstra que é possível conciliar medicina de precisão e sustentabilidade econômica. Ao identificar quais pacientes podem se beneficiar da quimioterapia, conseguimos direcionar melhor os tratamentos, evitar intervenções desnecessárias e utilizar os recursos de forma mais eficiente", afirma o primeiro autor do estudo, Carlos Alberto da Silva Magliano, médico, doutor e especialista em avaliação econômica em saúde.

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Menos quimioterapia, mais precisão

O teste Oncotype DX® é um teste genômico que analisa a atividade de 21 genes presentes no tumor para estimar o risco de recorrência da doença e a probabilidade de benefício da quimioterapia. A ferramenta complementa os critérios clínicos tradicionalmente utilizados pelos oncologistas, como tamanho do tumor, idade da paciente e comprometimento dos linfonodos.

De acordo com o estudo, a utilização do exame foi associada a uma redução global de aproximadamente 41% nas recomendações de quimioterapia. Entre pacientes consideradas de maior risco clínico, a redução chegou a 44,4%.

Os pesquisadores observaram ainda que, entre as pacientes inicialmente encaminhadas para quimioterapia, 42,7% tiveram sua recomendação terapêutica modificada após a realização do teste. Em 98,4% dessas mudanças, a indicação de quimioterapia foi retirada.

"O principal benefício está em evitar o sobretratamento. Muitas mulheres recebem quimioterapia sem que haja um ganho clínico relevante. O teste permite individualizar a decisão terapêutica e poupar pacientes dos efeitos adversos de um tratamento que nem sempre será necessário", destaca Magliano.

Economia para o sistema de saúde

A análise considerou dois cenários de incorporação do teste na saúde suplementar brasileira. No mais conservador, com adoção gradual da tecnologia, a economia estimada foi de US$ 19,3 milhões em cinco anos. No cenário de utilização universal entre pacientes elegíveis, a economia alcançou US$ 26,7 milhões no mesmo período.

Segundo os autores, os maiores ganhos econômicos foram observados entre mulheres pós-menopáusicas com acometimento de linfonodos, grupo em que a utilização do exame permitiu reduzir significativamente o uso da quimioterapia sem comprometer os resultados clínicos.

Os pesquisadores destacam que os benefícios econômicos observados podem ser ainda maiores no longo prazo, uma vez que o modelo avaliou apenas um horizonte temporal de cinco anos e não capturou integralmente potenciais reduções futuras de recorrência da doença, tratamentos para câncer metastático e outras complicações associadas ao tratamento.

Debate sobre incorporação

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 73 mil novos casos da doença por ano no país.

Apesar das evidências clínicas e econômicas acumuladas internacionalmente, o teste Oncotype DX® ainda não integra o rol de cobertura obrigatória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nem está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Para os autores, os resultados reforçam o potencial da medicina de precisão para melhorar a qualidade do cuidado, reduzir intervenções desnecessárias e promover uma utilização mais eficiente dos recursos em saúde.

O que é a ASCO

A American Society of Clinical Oncology (ASCO) é a principal sociedade médica de oncologia do mundo. Seu congresso anual reúne dezenas de milhares de pesquisadores, médicos e profissionais de saúde de diversos países e é considerado um dos mais importantes fóruns internacionais para apresentação de avanços científicos no diagnóstico e tratamento do câncer.

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