Wolff teme que batida decida título da F1 entre Verstappen e Hamilton

Separados por 12 pontos a cinco provas pro fim do atual campeonato da Fórmula 1, Lewis Hamilton e Max Verstappen já protagonizaram duas colisões importantes em 2021. E diante de uma disputa tão acirrada, o chefe do britânico na Mercedes, Toto Wolff, teme que os dois possam voltar a se encontrar caso a briga pelo título chegue na última corrida do ano, no GP de Abu Dhabi – o que já aconteceu na F1.

– Se chegarmos na última corrida em Abu Dhabi e eles ainda estiverem disputando o título, o que estará à frente talvez tente o mesmo que Senna e Prost nos anos anteriores. Se você está lutando pelo campeonato e vê suas chances sumirem porque o outro te ultrapassa, que ferramenta você tem além de garantir que ele não te ultrapasse? – comentou o austríaco.

Carro de Max Verstappen decola após o holandês tocar Lewis Hamilton na Variante del Rettifilo — Foto: Peter Van Egmond/Getty Images
Carro de Max Verstappen decola após o holandês tocar Lewis Hamilton na Variante del Rettifilo (Foto: Reprodução)

A dupla vem se revezando na liderança do campeonato desde março, quando Hamilton venceu o GP do Bahrein. Porém, os triunfos na Emilia-Romagna e em Mônaco e uma sequência de outras três vitórias ajudaram Verstappen a superá-lo até a resposta do piloto da Mercedes na Inglaterra e com o pódio na Hungria.

O holandês conseguiu retomar a liderança após ver o heptacampeão voltar à ponta da tabela no intervalo da temporada, vencendo em casa, no GP da Holanda. Sua vantagem, porém, não passava dos seis pontos até o triunfo nos Estados Unidos, que lhe permitiu dobrar a diferença para 12.

A disputa pelo título neste ano foi largamente influenciada por dois choques entre eles: o primeiro na largada do GP da Inglaterra, no qual Hamilton foi punido por provocar a colisão que tirou Verstappen do jogo, mas conseguiu vencer. O segundo foi no GP da Itália, quando o holandês foi penalizado pelo incidente que tirou ambos da disputa.

Lewis Hamilton e Max Verstappen colidiram na largada do GP da Inglaterra — Foto: Reprodução/F1
Lewis Hamilton e Max Verstappen colidiram na largada do GP da Inglaterra (Foto: Reprodução/F1)

O cenário previsto por Wolff já ocorreu algumas vezes na F1: primeiro em 1989, quando Alain Prost bateu em Ayrton Senna no GP do Japão e garantiu seu terceiro título, quando eram colegas na McLaren. No ano seguinte, o brasileiro “deu o troco” no mesmo circuito ainda na primeira curva e conquistou o bicampeonato mundial.

Já na década de 90, Michael Schumacher faturou em 1994 seu primeiro título, pela Benneton, depois de se chocar com Damon Hill, da Williams, ao bloquear uma ultrapassagem dele no GP da Austrália, última etapa do ano – ambos estavam separados por um ponto na tabela.

Senna bate em Prost após a largada do GP do Japão de 1990, em Suzuka — Foto: Getty Images
Senna bate em Prost após a largada do GP do Japão de 1990, em Suzuka (Foto: Divulgação)

Três anos depois, o alemão, já piloto da Ferrari e Jacques Villeneuve, da Williams, chegaram na última corrida de 1997, o GP da Europa em Jerez de La Frontera, sob o mesmo cenário. Novamente ao tentar coibir a manobra do rival, Schumacher acabou batendo e, antes na liderança da prova, abandonou a disputa.

– Vimos isso com Schumacher e Villeneuve, duas vezes com Senna e Prost. Eu nunca iria instruir Hamilton a bater em ninguém, mas quando se trata da última corrida e o que está na frente pode ser campeão, eles estarão competindo fortemente um contra o outro – lembrou Toto Wolff.

Schumacher joga a Ferrari em cima de Villeneuve em Jerez, em 1997 — Foto: Reuters
Schumacher joga a Ferrari em cima de Villeneuve em Jerez, em 1997 (Foto: Divulgação)

Essa não é a primeira vez que Wolff precisa lidar com animosidade na disputa por um título, já que teve que gerenciar a rivalidade interna entre Hamilton e Nico Rosberg entre 2014 e 2016. Dessa vez, porém, o austríaco acredita que deve deixar seu piloto e Verstappen se resolverem sozinhos:

– Não dá pra interferir nisso com Hamilton e Verstappen, e nem deveríamos, porque eles são gladiadores. É isso que torna este esporte tão interessante, porque é da nossa natureza não gostar de confrontos e ao mesmo tempo ter curiosidade de ver como essa relação se desenvolve. Eles se confrontam quando sofrem algo? O que eles vão dizer? Eles se olham nos olhos? Não vamos interferir. O relacionamento deles é uma questão individual.

A 18ª etapa da temporada será neste fim de semana, com o GP do México. Restam cinco rodadas para o fim do campeonato: além da etapa mexicana, virão o GP do Brasil em Interlagos, as novidades Catar e Arábia Saudita e o GP de Abu Dhabi, que fecha o ano em 12 de dezembro.

Fonte: G1

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