18 de fevereiro, 2026

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Unesp Botucatu participa de estudo inédito sobre tratamento da Doença de Chagas

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Estudo internacional avaliou medicamentos já utilizados em outras cardiopatias e trouxe novas evidências para pacientes chagásicos

Um estudo internacional com participação da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp avançou no entendimento do tratamento da insuficiência cardíaca associada à Doença de Chagas, considerada o principal risco de morte entre pacientes diagnosticados com a enfermidade.

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A Doença de Chagas integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas, que ainda recebem pouco investimento em pesquisas e no desenvolvimento de novos tratamentos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 7 milhões de pessoas estão infectadas no mundo, principalmente na América Latina.

O estudo, denominado PARACHUTE-HF, investigou a eficácia e a segurança de dois medicamentos utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca: Sacubitril/Valsartana e Enalapril. O ensaio clínico randomizado reuniu 83 centros de pesquisa de quatro países latino-americanos — Brasil, Argentina, Colômbia e México — e envolveu 922 pacientes com Doença de Chagas. Os resultados foram publicados no Journal of the American Medical Association (JAMA).

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A médica cardiologista Silméia Garcia Zanati Bazan, professora da Faculdade de Medicina do câmpus de Botucatu da Unesp, participou do estudo como uma das investigadoras brasileiras. Segundo ela, embora os dois medicamentos já sejam utilizados no tratamento de insuficiência cardíaca de outras causas, ainda não haviam sido testados de forma robusta em pacientes chagásicos.

No projeto, liderado pelo professor Renato Delascio Lopes, da Duke University, nos Estados Unidos, a docente atuou junto ao Hospital das Clínicas de Botucatu e à Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina da Unesp no recrutamento e acompanhamento dos participantes, além da coleta e análise de dados em conjunto com os demais centros de pesquisa.

As análises indicaram que ambos os medicamentos são efetivos para pacientes com insuficiência cardíaca causada pela Doença de Chagas. No entanto, foi observada uma redução significativa nos níveis do biomarcador NT-proBNP entre os pacientes que utilizaram Sacubitril/Valsartana. O biomarcador é liberado quando o coração apresenta dificuldade para bombear o sangue, e sua redução sugere tendência de diminuição de mortalidade cardiovascular e hospitalizações relacionadas à insuficiência cardíaca.

Segundo a pesquisadora, trata-se do primeiro grande ensaio clínico desenvolvido especificamente para pacientes com insuficiência cardíaca chagásica, trazendo evidências sobre a eficácia de uma classe moderna de medicamentos em uma população historicamente negligenciada.

A Doença de Chagas pode ser transmitida principalmente por duas vias: a vetorial, quando o inseto conhecido como barbeiro deposita fezes contaminadas com o protozoário Trypanosoma cruzi na pele durante a picada, e a oral, por meio do consumo de alimentos contaminados. Fatores como falta de saneamento básico, moradias precárias e degradação ambiental contribuem para a transmissão.

De acordo com a professora da Unesp, os resultados do estudo podem orientar futuras diretrizes terapêuticas, fortalecer políticas públicas de saúde e incentivar novos ensaios clínicos voltados a doenças raras ou negligenciadas em países em desenvolvimento.

Por Leia Notícias com Jornal da Unesp

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