Uma crônica policial: O salvamento de um bebê – aprendizado e gratidão

Durante uma noite fria, em mais um serviço no patrulhamento preventivo, em uma cidadezinha interiorana, os policiais militares, Cabo Roberto e Soldado Karen, atentos ao ambiente externo, observavam os transeuntes, os veículos e tudo que causasse estranheza, no intuito de agir na proteção de pessoas, bem como evitar que ocorresse uma ação criminosa nas proximidades da viatura.

Dado instante, ao avistarem a aproximação de um carro, dentro do qual não era possível identificar pessoas ofensivas, os policiais foram surpreendidos por uma manobra estranha, pois o condutor praticamente lançou o veículo contra a viatura policial, fazendo com que Roberto e Karen desembarcassem, com armas em punho, para se defenderem de um possível atentado.

Aquele comportamento atípico, que exigiu uma decisão instantânea dos agentes de segurança, fez com que a adrenalina lhes corresse nas veias, acelerou os batimentos cardíacos e manteve ainda mais em alerta.

Identificaram que o motorista era um homem aflito, em estado de desespero e no banco traseiro estavam uma mulher, com um bebê de 07 meses de vida no colo.

A mulher gritava, chorava e implorava aos prantos.

  • Por favor, salvem meu filho!

Os policiais então, na típica leitura de fração de segundos que exige a profissão, concluíram que aquele comportamento era decorrente de um bebê engasgado com leite materno, em parada respiratória, já desfalecido, inerte.

O Cabo Roberto, em estado de atenção máxima, auxiliado pela Soldado Karen, imediatamente tomou a criança nos braços e iniciou a manobra de heimlich.

Os pais do bebê se abraçaram, fecharam os olhos e imploravam a Deus pela vida do filho, enquanto o Cabo Roberto e a Soldado Karen só pensavam em executar o ato, a fim de que a missão de preservar aquela vida fosse cumprida.

Dado instante, depois de alguns segundos sob os cuidados da equipe, o bebê vomitou o líquido coalhado, retomou a respiração e iniciou um choro baixo e esgotado, mas a adrenalina não afetou a racionalidade dos policiais, pois sabiam que o objetivo ainda não havia sido atingido.

Eles então entraram na viatura e conduziram aquele infante ao pronto-socorro, onde foi atendido por uma equipe de socorristas preparada e apta a concluir a salvação daquela vida inocente.

Os pais, ainda que perplexos, apresentavam alívio, uma gratidão, sem saberem ao certo se a dirigia a Deus, ou àqueles agentes desconhecidos, mas tinham em mente que aquela viatura ali estava, predestinada a salvar o filho que tanto amam.

Alguns minutos depois do salvamento, a médica que atendeu o pequeno contatou os policiais militares e os parabenizou, esclarecendo que aquele ato foi essencial à salvação da vida do bebê e noticiou que naquele instante ele não mais corria risco de morte.

Os parceiros de trabalho encerraram a ocorrência com a sensação do cumprimento do dever e levaram como aprendizado aquele ato, para eles, de certa habitualidade, mas para aqueles pais, o ato único, heróico, que permitiu que a vida daquele ser inocente continuasse.

O autor, de pseudônimo Luciano Festim, é policial militar, com formação superior em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública e bacharel em Direito. Utilizou personagens fictícios, com base em fato real, cujo intuito é compartilhar a emoção, a dificuldade e a realidade do trabalho policial.

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