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O Ministério Público do Trabalho e a Polícia Rodoviária Federal prenderam dois homens em flagrante por crime de redução de trabalhadores à condição análoga à escravidão, previsto no artigo 149 do Código Penal, na região de Marília (SP) em operação realizada nesta quarta (10) e quinta-feira (11).
Segundo o MPT, o dono da colheita e um funcionário, que contratava a mão-de-obra para o empresário, mantinham 24 trabalhadores em condições precárias na colheita de melancia de um sítio, localizado na BR-153 na cidade de Campos Novos Paulista (SP).
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Entre os colhedores foram identificadas cinco menores de 18 anos, sendo um adolescente de 17 anos e outros três meninos e uma menina de 15 anos. Os menores disseram aos procuradores e à polícia que recebiam cerca de R$ 70 por dia de trabalho e contaram que faltavam à escola para fazer a colheita.
O MPT informou ainda que os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção, galões de água ou marmitas térmicas e eram levados à colheita em veículos improvisados.
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/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/c/V/QTdZ45RhyVhXsDZ1ubjA/whatsapp-image-2021-03-12-at-12.03.57.jpeg?quality=70&f=auto)
Além disso, não eram disponibilizados banheiros, mesas, cadeiras ou equipamentos de proteção considerados obrigatórios, de acordo com a legislação trabalhista voltada ao meio rural.
“A precariedade no meio ambiente de trabalho, o labor sem qualquer proteção e a completa informalidade configuram o crime de redução de trabalhadores à condição análoga à escravidão. A pena dos responsáveis pode ser agravada em decorrência do crime ter sido cometido contra crianças e adolescentes”, afirma o procurador Marcus Vinícius Gonçalves que participou da ação.
De acordo com os procuradores, o Ministério Público do Trabalho vai ajuizar ação civil pública para que os trabalhadores resgatados recebam o pagamento de suas rescisões, tenham direito ao seguro-desemprego e ainda sejam indenizados por dano moral.
O dono da colheita e o funcionário foram encaminhados para a delegacia da Polícia Federal em Marília após o flagrante e permanecem à disposição da Justiça. Os procuradores colheram os depoimentos de 29 pessoas envolvidas no caso.
A operação também inspecionou outras duas propriedades rurais na região que realizam a plantação de mandioca. Nos locais foram encontrados três trabalhadores sem registro em carteira de trabalho e irregularidades relacionadas a questões de saúde e segurança do trabalho.
O Ministério Público do Trabalho informou também que as audiências com os empregadores foram realizadas nesta sexta-feira (12).
Fonte: G1 – Foto: Ministério Público do Trabalho/ Divulgação