Anúncios
Tragédia registrada na cidade ocorre em meio ao avanço de pesquisa brasileira que ainda não chegou aos hospitais.
A morte de uma idosa após um ataque de abelhas em Botucatu, registrada na segunda-feira (23), ocorre em um momento em que o Brasil está próximo de disponibilizar o primeiro soro específico contra esse tipo de envenenamento — mas que ainda não está acessível à população.
Anúncios
Em nota divulgada nesta terça-feira (24), o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap/Unesp) informou que o chamado soro antiapílico, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos de pesquisa, entrou recentemente na fase final de testes clínicos.
O produto é considerado o único antídoto específico no mundo voltado para neutralizar o veneno de múltiplas picadas de abelhas africanizadas, responsável por complicações graves como falência renal e morte.
Anúncios
Atualmente, no entanto, o tratamento disponível nos serviços de saúde é baseado em medidas de suporte, sem um soro específico para neutralização direta do veneno.
Segundo o Cevap, a pesquisa está na chamada fase 3, etapa final necessária para comprovar eficácia e segurança em humanos antes da liberação definitiva para uso.
A expectativa é que, após aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o soro possa ser distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em pontos estratégicos do país.
Apesar do avanço, o próprio centro de pesquisa reforça que o medicamento ainda não está disponível para uso em prontos-socorros, por se tratar de um produto em fase experimental regulada.
A instituição também destacou que o objetivo é acelerar o processo para que episódios como o ocorrido em Botucatu possam ser evitados no futuro.
O caso registrado na cidade envolveu um ataque de abelhas africanizadas dentro de uma residência, resultando na morte de uma idosa e deixando outras duas pessoas feridas.
O Cevap tem trabalhado há mais de 20 anos no desenvolvimento de um antídoto, um antiveneno específico contra a picada de abelhas. A gente tem um soro contra serpentes, cobras, aranhas, escorpiões e até lagartas venenosas, mas, até o momento, não temos um específico para abelhas. Nós conseguimos desenvolver essa pesquisa na Unesp, aqui no Cevap, compartilhamos o seu desenvolvimento com pesquisadores do Instituto Butantan e do Instituto Vital Brasil para a finalização desse produto, realizamos já alguns ensaios clínicos, ensaios clínicos de fase 2, que a gente chama, para testar principalmente a segurança desse novo produto. E agora, com o apoio do Ministério da Saúde, a gente inicia a fase de estudo clínico fase 3, que é a última fase para esse produto poder efetivamente chegar nas prateleiras do SUS
Rui Seabra Ferreira Júnior, coordenador do Cevap/ Unesp