Soluções para a mudança climática na agricultura no Brasil

A mudança climática vai impactar na agricultura brasileira, que atualmente já apresenta muitas dificuldades. Espera-se que a mudança climática vá provocar um 13% de diminuição da produção de alimentos no país devido a um menor rendimento dos cultivos e às decisões dos agricultores que apoiam o monocultivo sobre as demais técnicas. Além disso, as mudanças na temperatura e nas chuvas podem trazer graves prejuízos para a abundância e duração dos cultivos.

Por exemplo, um estudo publicado no Nature Climate Change sugere que o aumento de um grau na temperatura no Mato Grosso provocará uma redução da produção de soja em milho de 9-13%. Atualmente, o estado fornece 10% da soja do mundo inteiro. Em termos de técnica, os pesquisadores usam dados de satélite de 2002 a 2010 para monitorar o uso da terra e comparar as mudanças provocadas pela mudança climática ao longo do tempo.

No caso do Brasil, a produção agrícola tem aumentado enormemente nas últimas décadas e ainda pode seguir aumentando. Para isso, o sistema de plantio direto é a chave para atingir uma agricultura sustentável a longo prazo sem um desmatamento adicional. A produção de soja aumentou de 40 milhões a 110 milhões métricos de toneladas anualmente nos últimos 15 anos, enquanto a produção de milho aumentou de 30 a 80 milhões de toneladas por ano. Assim, o Brasil tornou-se o principal concorrente do Canadá no mercado internacional da soja e milho. Entre as razões do aumento, encontram-se as melhorias genéticas e variedades de curto prazo, assim como uma melhor gestão do solo e mais especialmente o plantio direto.

Esta técnica começou no Brasil nos anos 70, quando um dos seus pioneiros, Manoel Pereira, viu no sistema de plantio direto a solução para melhorar a qualidade e o rendimento dos solos, que eram secos e com pouca fertilidade. Ele foi o primeiro no Brasil a implantar o plantio direto na sua fazenda e agora é 100% plantio direto. Desta maneira, a produção de milho dobrou de quatro para oito toneladas por hectare nos primeiros 25 anos e agora estão perto de 10 toneladas. Durante esse mesmo período, de 1975 a 2002, tanto a produção de soja quanto a de trigo nos campos de plantio direto aumentou de duas para quatro toneladas por hectare. Por outro lado, a cobertura que usava-se para o controle de ervas daninhas no começo dos 80, agora usa-se extensivamente nos cultivos de soja, milho, trigo, cevada, feijão branco e sorgo. Ao tornar-se um conhecido defensor do plantio direto, a fazenda de Pereira está sempre aberta para aqueles que querem aprender a técnica. Os princípios principais do plantio direto são mínima perturbação do solo, rotação de culturas, e cobertura permanente do solo. Atualmente, é quase a metade da terra cultivável (86,5 milhões de acres) e 70% das fazendas do Brasil que tem implantado o plantio direto nos seus cultivos.

Outro elemento essencial é o gado. Ele passa cerca de 120 dias na pastagem antes de ter a oportunidade de crescer novamente e de plantar uma cultura como o plantio direto de soja. Esta rotação é cada vez mais comum no sul do Brasil – no norte, é o milho que acompanha o pasto – que está ajudando a trazer cerca de 200 milhões de hectares (494 milhões de acres) de pastagens degradadas no Cerrado, uma ampla região de savana tropical do Brasil, para uma maior produtividade. Desta maneira, a produção pode ser dois ou três vezes maior sem ter que usar mais terras e, por conseguinte, terá menor desmatamento e emissões de CO2.

O desenvolvimento de variedades de milho e soja no início da estação e o plantio de milho após a soja mudou drasticamente a importância da famosa segunda safrinha do Brasil, e ajudou a integrar o gado e o cultivo. Mais de 70% do milho do Brasil é agora safrinha e são esperados 200.000 hectares extras de milho nos próximos cinco anos – porque os produtores de gado estão girando a colheita através de suas pastagens degradadas para aumentar a saúde, fertilidade e capacidade de retenção de água de suas terras.

No entanto, a tecnologia tem muita coisa a oferecer para ajudar a agricultura neste contexto. Como a mudança climática traz umas condições e clima imprevisíveis, o uso de dados como primeiras informações na agricultura podem ser úteis para analisar a situação antecipadamente e tomar decisões informadas sobre os cultivos, como por exemplo, quais sementes plantar ou quando os recolher, em base a estes dados. 

Da mesma maneira, graças à previsibilidade que traz a tecnologia, os diferentes parâmetros na agricultura podem ser monitorados, tais como água, clima, solo, e assim os agricultores podem escolher a colheita certa em todo momento e monitorar seu desenvolvimento. Assim, os agricultores podem efetivamente determinar as sementes resistentes ao clima que precisam ser plantadas durante qualquer ciclo de cultivo e monitorar seu crescimento durante todo o processo. Além disso, ao monitorar as condições climáticas, o agricultor pode analisar estas informações e planejar seus ciclos de cultivos antecipadamente, pois a quantidade ideal de chuva no momento certo é um insumo principal na agricultura. Porém, as chuvas imperecíveis características na mudança climática podem dificultar o cultivo. Este monitoramento também é eficaz para as pragas e doenças, pois a tecnologia permite intervir de maneira rápida e oportuna para assim evitar a propagação e, consequentemente, as perdas potenciais.

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