19 abril, 2024

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Sobrevivente de uma explosão, ex-radialista de Botucatu revela luta após sofrer queimadura em 63% do corpo

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Adriana Souza de Lima tem 38 anos e uma história de superação após sobreviver a uma explosão no dia 25 de julho de 2017.

Em entrevista ao Jornal Leia Notícias ela conta como foi o acidente e sua luta para viver

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Ex-radialista, Adriana morou na cidade de Areiópolis e trabalhou na Rádio Clube FM e Rádio Criativa em Botucatu, nos anos de 2009 e 2010.

A noite do dia 25 de julho ficou gravada na memória das cinco pessoas que estavam dentro de um apartamento na zona Norte de Joinville em Santa Catarina, local do acidente. Era perto das 20 horas de terça-feira quando uma forte explosão destruiu parte do imóvel, arrancando grades e portas. Quatro adultos e uma criança, que teve ferimentos leves, e foram levados aos hospitais da cidade com queimaduras e ferimentos.

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Adriana era uma das vítimas

“Conheci meu esposo, o David, pela internet em um site de relacionamento em 2011. Nos conhecemos 4 meses depois de tanto bate papo começamos a namorar ficamos 1 ano namorado e decidimos casar, eu morava muito longe, na região de Botucatu e estava ficando difícil nos ver, em Abril de 2012 vim morar em Joinville para cuidar do casamento”.

Mãe de dois filhos, um de 14 anos de um relacionamento anterior e de um menino de 5 anos da união com David, Adriana viu o orçamento da família apertar com a chegada do segundo filho em 2014.

“Eu grávida do João já era setembro de 2014, começou a construção da nossa casa e acabou a paz, a falta de dinheiro pegou, João já tinha nascido e a construção todos os dias precisando de mais e mais dinheiro, foi aí que decidimos eu e meu esposo a montar uma empresa de limpeza de sofá
Tanto eu quanto ele estávamos trabalhando na mesma empresa. Tudo o que entrava de salário era para construção e em paralelo o dinheiro das limpezas também ia para casa.”

O acidente

O acidente ocorreu no conjunto habitacional situado na rua Iguaçu, no bairro Santo Antônio em Joinville.. Segundo os bombeiros voluntários , a explosão foi decorrente de um procedimento do impermeabilização que era feito nos móveis do apartamento. Como o produto usado no procedimento é considerado altamente inflamável, o acendimento de uma das bocas do fogão pode ter gerado uma fagulha e provocado a explosão.

“Chegamos no apartamento dos clientes e meu pequeno com 2 anos dormiu no carro. Então deixamos o carro dentro do prédio em uma vaga bem do lado da janela do apto onde estaríamos trabalhando.

Entramos eu como sempre amo falar e amo fazer amizades com clientes ficamos conversando. Antes, tínhamos informado ao dono da casa quais seriam os procedimentos de segurança por conta do uso dos produtos. Mas acredito que ele não tenha falado com a esposa e ela foi fazer o jantar da família.
Começamos o trabalho que seria impermeabilização de 6 cadeiras e 1 sofá retrátil, eu comecei pelo sofá e o David pelas cadeiras quando fiz a 1 etapa do serviço troquei com ele fui para as cadeiras e ele para o sofá. O casal estava ali no local e a filha deles foi para o quarto por causa do cheiro do produto.

Eu já estava finalizando o trabalho quando ouvi o barulho saindo do fogão tipo um “tectectec” e não deu tempo de nada e explodiu tudo”.

Os quatros adultos sofreram queimaduras, a menina conseguiu pular pela janela. Ela disse que um cheiro forte invadiu o ambiente, parecido com álcool, quando a aplicação do produto teve início.

As outras pessoas que estavam no local saíram pela porta da frente do apartamento. A porta de vidro que dá acesso ao bloco também foi arremessada para longe, e três apartamentos vizinhos tiveram portas e janelas quebradas.

Foto Arquivo: NSC Total

“Dormi por 24 dias. Foram 24 dias que passei sem ver sem saber o que estava ocorrendo. Acordei no dia da minha traqueostomia se isso fosse feito poderia ter ficado mais uns 3 meses no hospital.

Meu esposo não aceitava a traqueotomia ele recebeu o Espírito Santo e foi quando disse que ele poderia acalmar seu coração que eu não ia precisar da cirurgia, e meu esposo costumo dizer foi quem menos queimou e mais sofreu.

No outro dia me mandaram para um quarto no isolamento. Foi muito emocionante ver meu esposo careca todo vermelho de queimaduras e tão lindo…

E eu como estava careca, com braço pernas enfaixado não entendi nada e fui me situando do acontecimento e o desespero bateu. Meus meninos como estavam todo esse tempo sem a mãe, e sem pai me deu uma dor no peito. Quando entendi a gravidade do acidente veio um sentimento de alegria por estar viva e de frustração por estar e ficar toda marcada.”

A dolorida recuperação

“Quando cheguei no isolamento, descobri que tinha queimado 63% do corpo. Descobri também que por causa da medicação que tomei lá no dia do acidente minha imunidade zerou e eu quase morri.

O boletim médico diário era que eu não iria sobreviver, minha família e a família do meu esposo em pânico mas tentando ficar firme por causa dos meninos, meu esposo ficou 20 dias internado o que ele sabia sobre meu estado era que eu estava instável.

Após a alta médica, chegando em casa fui tomar banho com ajudo do meu esposo.Quando ele tirou minha roupa eu vi a quantidade de queimaduras eu entrei em choque não acreditava que isso tinha acontecido. Eram queimaduras por todo lado, aquilo foi dilacerador me ver desse jeito, depois disso eu não me aceitava, não conseguia me olhar no espelho, coloquei na minha cabeça que meu esposo tinha que me deixar eu não era mais mulher para ele.

Ele sempre amoroso atencioso me disse “Amor tô com você por que te amo não casei por estética, não vou te deixar. E foi assim uma luta muitas dores fazendo muita fisioterapia, terapia ocupacional, psicóloga, curativos, médicos, visitas diárias na emergência por causa das dores fortes, dores essas que nem morfina passava. Era muito cansativo muito doloroso os curativos mas meu esposo ali comigo, meu irmão deixou tudo e veio embora cuidar de mim, mas infelizmente mesmo com todo suporte a “deprê” bateu.

Eu não saía do quarto escuro não queria ver nem falar com ninguém, não comia ia ao banheiro com as luzes apagadas para não me ver no espelho, meu esposo saia comigo eu ia na frente com vergonha das pessoas me ver com ele, sofri muito com olhares com pessoas fazendo perguntas tipo você não tem vergonha em colocar uma fotografia toda queimada com tantas fotos lindas de antes?

Foram dias tenebrosos não conseguia comer a pele retraiu endureceu minhas mãos, só sei dizer que passei por muitas dificuldades mas estou vencendo dia após dia, ano passado comecei fazer cirurgias para voltar os movimentos voltar a conseguir fazer alguma coisa, ainda tenho muito a fazer mas Deus tem muito ainda para fazer por mim, nunca questionei a Deus por que comigo isso nunca, penso que se Ele permitiu é que tem benção lá no final e propósito na minha vida. Hoje sinto muito forte no meu coração que preciso levantar pessoas que tem problema com marcas de cicatrizes.”

Por conta da explosão, além das queloides das queimaduras, Adriana tem apenas 50% do movimentos das mãos. As dores são constantes e ela vive a base de morfina. ” Não posso tomar sol e vivo a base de medicação forte”.

Para viver e pagar todos os custos de vida, o marido trabalha sozinho para sustentar a família. Adriana recebe um beneficio social de 1 salário mínimo que não cobre nem o plano de saúde dela. As doações e campanha ajudam a família a sobreviver e enfrentar as cirurgias que melhoram a qualidade de vida e saúde dela.

Para ajudar, uma “Vakinha” online foi criada

Acesse aqui para doar: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/me-ajude-a-ter-movimentos-das-maos

No Instagram a página oficial da Adriana divulga outras formas de ajudar e sua rotina após o acidente:

Leia Notícias ( Informações sobre o acidente retiradas do site NSC Total )

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