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Nas últimas 48 anos, quatro pessoas foram atacadas por tubarões em Nova Gales do Sul, na Austrália. O caso mais recente ocorreu nesta terça-feira (20), quando um surfista de 39 anos foi mordido por um animal perto da cidade de Port Macquarie. Ele teve ferimentos leves.
As outras vítimas foram dois meninos, de 11 e 12 anos, e um homem de 27 anos, que está em estado crítico. Diante da gravidade da situação, as autoridades fecharam todas as praias da zona norte de Sydney e, também, as ao redor de Port Macquarie.
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“Se você está pensando em nadar, considere ir a uma piscina pública, porque, neste momento, estamos alertando que as praias não são seguras”, disse Steven Pearce, diretor executivo da Surf Life Saving New South Wales, citado pela rede Al Jazeera.
There has been another shark attack in Sydney, this time at Manly. A surfer is in a critical condition after being mauled yesterday evening, marking the third shark attack in just two days. #sharkattack #shark #surfer #beach #manly pic.twitter.com/sJ49XliwLR
— 7NEWS Australia (@7NewsAustralia) January 19, 2026
Reportagem do The Guardian relata que Amy Smoothey, cientista pesqueira e especialista em tubarões do Departamento de Indústrias Primárias e Desenvolvimento Regional de Nova Gales do Sul, analisou imagens das mordidas e informou que todas foram provocadas pelo tubarão-cabeça-chata, também conhecido como tubarão-touro, tubarão-buldogue ou tubarão-do-zambeze, ou, em inglês, bull shark.
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De acordo com o banco de dados australiano de incidentes com tubarões, atualizado pela última vez em junho de 2025, essa espécie foi responsável por 212 mordidas (16%) de tubarão registradas desde que os registros começaram, no início do século XIX.

Smoothey explicou que os tubarões-touro costumam chegar a Sydney em outubro, atingindo o pico populacional em janeiro e fevereiro, antes de partirem por volta de abril ou maio em uma jornada de 1.700 km rumo ao norte, para as águas mais quentes de Queensland.
“Não há evidências de que eles sejam mais agressivos do que qualquer outro tubarão”, disse Smoothey ao Guardian. “Mas são justamente suas capacidades que nos expõem a eles”, acrescentou, se referindo ao fato de que eles conseguem detectar movimentos na água por meio de mudanças na pressão e minúsculas correntes elétricas emitidas por outros peixes – uma capacidade conhecida como eletrorecepção.
Daryl McPhee, especialista em mordidas de tubarão da Universidade Bond, da Austrália, destacou que a baixa visibilidade não é um problema para o tubarão-touro. “Eles estão bem adaptados para se alimentar nessas águas turvas.”
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Muitos ataques em pouco tempo
Mas o que explica o alto número de ataques em pouco tempo nas águas australianas? Uma das razões foram as fortes chuvas que atingiram Sydney no último final de semana, dizem especialistas. Elas fizeram com que grandes quantidades de água doce e turva fossem despejadas na costa e nas praias, deixando a água escura em algumas áreas, o que atrai os tubarões em busca de alimentação de peixes menores.
“Eles se movem muito rapidamente quando a chuva forte chega a lugares para onde os peixes provavelmente irão se deslocar. Os peixes se agrupam nesses locais”, apontou Rob Harcourt, professor emérito e especialista em ecologia e comportamento de tubarões da Universidade Macquarie.
Ele continuou: “Para os tubarões-touro, a probabilidade de uma mordida está intimamente ligada à entrada de água doce, e isso não é nenhuma surpresa se entendermos sua ecologia”.
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O The Guardian salienta que, quando filhotes, esses predadores passam seus primeiros anos em estuários antes de migrarem para o oceano. Isso significa que conseguem tolerar água doce e águas com menor salinidade.
Apesar do alto número de ataques recentes, os especialistas consultados pelo Guardian afirmaram que tubarões-touro não estavam caçando pessoas, e sim, peixes.
“Algumas pessoas certamente serão levadas [por tubarões] como presa. Outras provavelmente são mordidas investigativas, como a prancha de surfe que foi mordida”, indicou Harcourt.
McPhee completou: “Felizmente, o risco de ser mordido por um tubarão ainda é muito baixo. Podemos achar que o risco é maior do que realmente é porque vimos esses incidentes em pouco tempo. As pessoas podem ficar muito assustadas, mas estatisticamente o risco de uma mordida é baixo”.
Fonte: Um Só Planeta