18 de janeiro, 2026

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Satélites revelam paisagem escondida sob o gelo da Antártica

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Debaixo de até quase cinco quilômetros de gelo, a Antártica guarda uma paisagem pouco conhecida. Mas uma combinação inédita de dados de satélite e modelagem física permitiu revelar, com nível de detalhe sem precedentes, o relevo rochoso oculto sob a maior camada de gelo do planeta.

O avanço é resultado de um estudo liderado pela pesquisadora Helen Ockenden, da Universidade de Edimburgo e do Institut des Géosciences de l’Environnement, na França, publicado em 15 de janeiro na revista Science. A equipe aplicou uma técnica chamada Ice Flow Perturbation Analysis (IFPA), que usa observações detalhadas da superfície do gelo feitas por satélites e as leis que regem o escoamento do gelo para inferir como é o terreno abaixo dele.

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Embora a superfície gelada da Antártida seja relativamente bem monitorada, o mapeamento do que está sob o gelo sempre foi um desafio. Os métodos tradicionais dependem de levantamentos aéreos ou terrestres caros e esporádicos. “Nosso mapa IFPA do relevo subglacial da Antártica mostra que uma enorme quantidade de detalhes pode ser extraída a partir de observações de satélite da superfície do gelo”, escreveram os autores do estudo, especialmente quando esses dados são combinados com medições da espessura do gelo obtidas por pesquisas geofísicas.

Imagem composta demonstra a maior resolução dos novos mapas IFPA da topografia subglacial da Antártida (à esquerda) em comparação com um mapa anterior (à direita). — Foto: Cortesia de Helen Ockenden
Imagem composta demonstra a maior resolução dos novos mapas IFPA da topografia subglacial da Antártida (à esquerda) em comparação com um mapa anterior (à direita). (Foto: Cortesia de Helen Ockenden)

O novo mapa revelou feições geológicas até então desconhecidas ou mal definidas: canais profundos com encostas íngremes, possivelmente ligados a antigos sistemas de drenagem montanhosa, e vales em formato de U semelhantes aos esculpidos por geleiras em outras partes do mundo. Esses traços ajudam a reconstruir como era a Antártida antes de ser coberta por gelo, em um passado pré-glacial.

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Mais do que uma curiosidade geológica, esse conhecimento é crucial para o presente e para o futuro. A forma do terreno sob o gelo influencia diretamente a velocidade e a direção do escoamento das geleiras. Compreender essa dinâmica é essencial para prever quanto gelo a Antártica pode perder nas próximas décadas e quanto isso pode elevar o nível do mar global.

Apesar do avanço, o mapa ainda tem limites. A reconstrução consegue identificar feições em escala intermediária, entre cerca de 2 e 30 quilômetros. Formas menores continuam fora do alcance. Ainda assim, o trabalho oferece um guia valioso para pesquisas futuras. “Nossa classificação da paisagem e o mapa topográfico servem como referências importantes para direcionar estudos mais detalhados do relevo subglacial da Antártida”, destacam os autores, indicando onde e como novos levantamentos geofísicos devem ser feitos.

O momento é considerado estratégico. Em um artigo de perspectiva que acompanha o estudo, Duncan Young, do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, lembrou que o Ano Polar Internacional de 2031 a 2033 será uma oportunidade-chave para esforços globais integrados. Segundo ele, campanhas futuras poderão combinar observações e modelagem avançada, guiadas por métodos como o desenvolvido por Ockenden e sua equipe.

Aos poucos, satélites ajudam a iluminar um continente que permanece, em grande parte, invisível — mas decisivo para o equilíbrio climático do planeta.

Antártica está perdendo gelo. (Foto: University of Southampton)

Fonte: Um Só Planeta

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