Rei emérito Juan Carlos I diz que sofreu ‘muitas pressões’ para deixar a Espanha

O rei emérito espanhol, Juan Carlos I, que deixou a Espanha devido a seus múltiplos processos judiciais e vive em Abu Dhabi, afirmou à sua biógrafa francesa que sofreu “muitas pressões” para deixar seu país, reportou a revista francesa Paris Match nesta quinta-feira (30).

Em uma série de entrevistas com a escritora Laurence Debray, que serão publicadas em forma de livro, o monarca explica que decidiu deixar a Espanha para “não perturbar a coroa”. Alguns trechos das conversas saíram na edição da Paris Match desta semana.

Questionado sobre um possível retorno ao seu país, ele preferiu não comentar: “Não sei. Alguns estão muito felizes por eu ter partido.”

Juan Carlos, de 83 anos, deixou a Espanha em 3 de agosto de 2020 e se estabeleceu com todo o conforto nos Emirados Árabes Unidos. O rei emérito está sendo investigado pela Justiça espanhola e suíça por vários escândalos financeiros.

Na carta com a qual anunciou a surpreendente decisão, disse que a tomou para “facilitar” o exercício das funções de seu filho, o monarca Felipe VI, “diante da repercussão pública que certos acontecimentos passados de minha vida privada estão gerando”.

Juan Carlos é investigado, sobretudo, pela cobrança de uma comissão de 65 milhões de euros (75 milhões de dólares) pela construção, em 2011, de uma linha ferroviária de alta velocidade na Arábia Saudita.

Até agora, ele não foi acusado de nenhum crime, mas essas investigações mancharam ainda mais a imagem do rei emérito, que abdicou em 2014 devido à indignação gerada após revelações de sua vida privada e dos casos de corrupção da família real.

Felipe VI distanciou-se do pai e retirou o seu subsídio anual, de cerca de 200 mil euros (232 mil dólares), após renunciar à herança do pai.

Debray, que já havia publicado outro livro sobre o monarca, o descreve como um homem nostálgico e isolado. Segundo ela, seu filho sequer ligou para ele para parabenizá-lo em seu último aniversário.

Fonte: Yahoo!

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