Morto por PM durante surto em Itaí teve filho assassinado por policial 4 anos atrás

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Gabriel (e) e filho Ricardo (d) morreram por PMs; Elsa, de infarto (Foto: Arquivo Pessoal/Décio Rodrigues)

O homem de 58 anos, morto com um tiro no peito por um policial militar durante um surto ao ver a esposa de 56 anos morrer de infarto em casa, tinha trauma da polícia porque teve um filho assassinado por PMs há quatro anos, segundo afirmou nesta sexta-feira (11) o outro filho do casal, de 35 anos, Décio Rodrigues. O pai Gabriel Estati Rodrigues, morador de Itaí (SP), tinha depressão e tomou vários calmantes logo depois da morte da mulher, Elsa Elena Cassu, na quinta-feira (10).

Depois de ingerir os remédios, o vendedor ambulante teve acesso de raiva, quebrou móveis da casa, tentou agredir a equipe médica e estava com uma faca em mãos em frente aos policiais, segundo a Polícia Civil. Um inquérito foi instaurado como homicídio doloso, quando há intenção, porém em legítima defesa. A Polícia Militar defende que a equipe que atendia o caso tentou conversar com o homem, mas alega que ele estava descontrolado com a faca.

Já o filho do casal diverge da versão dos PMs. Décio diz que ouviu de testemunhas que o pai estava a 6 metros dos policiais no momento do tiro. A PM afirmou que abriu inquérito militar e os dois policiais militares envolvidos serão encaminhados para avaliação psicológica.

Desabafo do filho

Décio está revoltado com a ação policial e fala em despreparo. “Foi uma covardia o que fizeram. Meu pai só não queria que eles entrassem porque tinha trauma de policial devido ao meu irmão, que era o ‘xodó’ dele. Ele pediu para que me esperassem chegar, só que os policiais foram entrando. Um homem trabalhador que lutou a vida inteira para cuidar dos filhos, nunca agrediu nenhum policial, não tinha raiva deles. Mas ele não pôde se expressar em um momento de dor quebrando os próprios móveis da própria casa. Quem você acha que está com a razão?”, questiona.

O filho do casal diz ainda que se os policiais esperassem por mais dois minutos fora da casa, o homem estaria vivo. “Se aguardassem fora de casa nada disso tinha acontecido, eu já tinha sido chamado e estava a dois minutos de chegar ao local. Agora, além da minha mãe, enterrei meu pai também. Mas isso não ficará impune, se precisar pagarei perícia particular para provar que eles erraram”, lamenta. Os dois foram enterrados nesta sexta no cemitério municipal de Itaí.

A morte do irmão

A depressão de Gabriel veio depois da morte do filho de 28 anos por policiais militares, de acordo com Décio. O familiar morreu em Wenceslau Braz (PR), em 2011. Ele deixou um casal de filhos, um menino de 3 e uma menina de 8 anos, na época. O delegado de Itaí, Luiz Fernando Rotelli, afirma que o rapaz morreu junto com outras quatro pessoas em uma troca de tiros. Ele era um dos suspeitos de integrar um grupo acusado de roubo.

Já Décio diz que o irmão estava no sítio com a família quando um amigo dele, taxista, o convidou para acompanhá-lo em uma viagem ao Paraná. “Ele não quis no começo, mas foi incentivado e acabou indo. Quando ele e o taxista já tinham pegado os três rapazes, policiais fizeram cerco e acabaram matando todo mundo. No mesmo dia do crime, conversei com uma testemunha, que contou que ouviu os jovens pedindo ‘pelo amor de Deus’ para que não fossem mortos. Mas as investigações não deram em nada, deu que todos eram criminosos, mas meu irmão não podia ter participado porque estava há dias no sítio com a família”, afirma.

Ele relembra ainda que, dois dias atrás, o pai chegou a revelar uma foto do irmão morto junto com a neta e a colocou em um porta-retrato na estante da sala. “Colocou em frente de onde costumavam sentar, só para ficar olhando.”

Depoimentos batem

Rotelli abriu inquérito como homicídio doloso, quando há culpa, mas por defesa pessoal. O delegado disse que o depoimento da equipe médica e dos policiais batem. “Quando o homem chegou à casa e encontrou a mulher enfartando, chamou duas enfermeiras de um posto de saúde do bairro que tentaram salvá-la, mas não conseguiram e constataram óbito. Em seguida, segundo elas, o homem ficou transtornado ao tomar um vidro de remédio e chegou a jogar a embalagem contra elas.”

O delegado afirmou ainda que as duas profissionais saíram e chamaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a Polícia Militar quando o homem quebrou geladeira, mesa e móveis da casa. Quando os policiais tentaram entrar na casa, Gabriel veio até eles com uma faca escondida nas costas e, depois de se aproximar, tirou a arma da bainha. “Nesse momento um dos policiais atirou no peito dele, segundo testemunho dos envolvidos”, descreve Rotelli.

Fonte: G1

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