11 de março, 2026

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Rastro de maior iceberg do mundo provoca floração de vida microscópica no oceano; confira imagens da NASA

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O iceberg A-23A, considerado o maior do mundo e que tem uma área pouco maior que duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo, tem deixado pedaços de gelo e água glacial por onde passa. E isso, conforme observado por satélites da NASA, parece ter impulsionado um aumento na abundância de fitoplâncton, fenômeno conhecido como floração e que atrai peixes, aves e outros tipos de vida marinha.

O Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS) do satélite Suomi NPP, da NASA, capturou uma imagem do iceberg tabular fragmentado em 25 de janeiro de 2026. Ela mostra um campo de detritos repleto de gelo.

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No mesmo dia, o Ocean Color Instrument (OCI) do satélite Plankton, Aerosol, Cloud, Ocean Ecosystem (PACE) detectou plumas de clorofila à deriva ao redor dos icebergs remanescentes e do campo de detritos. Os pesquisadores usam as concentrações de clorofila como um marcador da abundância de fitoplâncton.

“Essa proliferação é grande demais e se espalha claramente a partir dos icebergs para não estar fortemente ligada a eles”, disse Grant Bigg, oceanógrafo emérito da Universidade de Sheffield. Bigg, em comunicado.

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Ele acrescentou que, embora proliferações não relacionadas a icebergs ocorram regularmente na região, imagens de satélite mostram uma conexão que persiste há semanas.

Heidi Dierssen, oceanógrafa da Universidade de Connecticut, explicou que os principais fatores que limitam o fitoplâncton nesta região são o acesso à luz e aos nutrientes. Mas, segundo ela, o derretimento de icebergs pode impulsioná-lo, criando uma camada superficial estável com condições favoráveis ​​ao seu crescimento e liberando plumas de água de degelo ricas em ferro, um nutriente essencial e que pode ser escasso nesta parte do Atlântico Sul.

Pesquisas indicam que os icebergs também costumam conter quantidades significativas de manganês e macronutrientes, como nitratos e fosfatos, que podem beneficiar o fitoplâncton. Esses nutrientes geralmente se acumulam nos icebergs quando estes fazem parte de uma camada de gelo maior, por meio de poeira transportada pelo vento ou pelo contato com rochas ou solo.

Imagem de satélite mostra posição do iceberg A23a na Antártica (Foto: Divulgação/Nasa)

Fitoplâncton picoeucariótico

Ivona Cetinić, pesquisadora da equipe científica PACE da NASA, consultou um banco de dados em busca de pistas sobre o menor fitoplâncton, ou “pico”, que circula ao redor dos icebergs.

A ferramenta Análise de Ordenação Múltipla (MOANA), que utiliza observações hiperespectrais de satélite da cor do oceano feitas pelo PACE, indicou que o fitoplâncton picoeucariótico — organismos eucarióticos microscópicos que respondem rapidamente a mudanças na temperatura ou na disponibilidade de nutrientes — estava prosperando nessas águas quando a imagem foi capturada.

Ela apontou que os redemoinhos a oeste do iceberg eram compostos por um grupo ligeiramente maior de cianobactérias chamado Synechococcus.

A NASA relatou que ainda não se sabe por quanto tempo o A-23A continuará a aumentar a produtividade do fitoplâncton antes e depois de se desintegrar completamente. Mas pesquisas anteriores indicam que os icebergs podem manter concentrações elevadas de clorofila por mais de um mês após sua passagem, formando trilhas que se estendem por centenas de quilômetros.

Floração de fitoplâncton ao redor do iceberg (Foto: Divulgação/Nasa)

Fonte: Um Só planeta

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