Quatro pessoas ainda estão desaparecidas um mês após chuva em Petrópolis

Um mês após a chuva que deixou 233 mortos em Petrópolis, no dia 15 de fevereiro, ainda há quatro considerados desaparecidos no município da Região Serrana.

Entre eles, três estavam nos dois ônibus que caíram no rio Quitandinha após terem sido arrastados pela força da chuva que atingiu o município na tarde do dia 15 de fevereiro:

  • Pedro Henrique Braga Gomes da Silva, de 8 anos
  • Antônio Carlos dos Santos, de 56 anos
  • Heitor Carlos dos Santos, de 61 anos.

Lucas Rufino da Silva, de 20 anos, segundo a Polícia Civil, é um dos desaparecidos após as consequências da chuva no Morro da Oficina, um dos pontos mais afetados na tragédia. A família diz que o corpo do jovem já foi encontrado, mas depois desapareceu; a polícia nega e diz que o corpo reclamado pela família é de outra vítima.

‘A gente quer o corpo para enterrar’

Pedro Henrique Braga Gomes da Silva, de 8 anos, uma das vítimas da enxurrada dos ônibus em Petrópolis — Foto: Reprodução
Pedro Henrique Braga Gomes da Silva, de 8 anos, uma das vítimas da enxurrada dos ônibus em Petrópolis (Foto: Reprodução)

Uma das vítimas dos ônibus arrastados pela enxurrada no Centro de Petrópolis é o estudante Pedro Henrique Braga Gomes da Silva, de 8 anos. Ele aparece de mochila nas imagens desesperadoras do resgate.

Sua mãe tinha ido buscá-lo no colégio quando foram surpreendidos pela chuva. Enquanto Pedro, a mãe e outras 11 pessoas tentavam escapar, uma barreira caiu a metros dali, provocando um tsunami que atirou os coletivos para a calha do Rio Quitandinha.

Um homem observa dois ônibus destruídos após temporal com deslizamentos em Petrópolis (RJ) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Um homem observa dois ônibus destruídos após temporal com deslizamentos em Petrópolis (RJ) (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

A avó de Pedro, Sônia, teve recentemente a casa destruída por um incêndio. De 15 de fevereiro para cá, segundo ela, foram muitas tragédias para a família.

“Passei pela enchente, depois a morte do meu neto e agora o incêndio. A mãe dele está à base de remédio, dopada. Eu que ainda estou de pé”, relatou.

Ela acompanha as buscas pelo neto, e diz que, um mês depois, a família de Pedro Henrique não tem esperanças de encontrá-lo vivo.

“Se ele tivesse com vida, ele já teria aparecido. Não é possível que, depois de um mês, com toda a mídia em cima, ele não tivesse aparecido”, desabafou.

Segundo Sônia, as famílias de todas as vítimas que estavam nos ônibus estão pedindo que as buscas continuem nos leitos próximos ao rio Quitandinha.

Ela ainda criticou um ato marcado para esta terça-feira (15), em homenagem às vítimas de Petrópolis. Para Sônia, não há motivo para homenagem,;

“Meu neto não foi herói. Ele foi vítima de uma tragédia. Ele não pode estar sumido dentro de um rio. A gente não quer homenagem. A gente quer o corpo para enterrar”.

Família alega que corpo sumiu

Familiares de Lucas Rufino, de 20 anos, alegaram que localizaram o corpo do jovem nos escombros do Morro da Oficina, mas afirmam que o mesmo desapareceu.

Um dos tios de Lucas afirma que a mancha de sangue em uma bermuda retirada do morro da Oficina no dia da tragédia é do jovem de 20 anos. Amostras foram coletadas, e o Ministério Público investiga o caso.

Tio de Lucas Rufino afirma que mancha de sangue na bermuda que usava quando carregou o corpo é do sobrinho — Foto: Reprodução Inter TV RJ
Tio de Lucas Rufino afirma que mancha de sangue na bermuda que usava quando carregou o corpo é do sobrinho (Foto: Reprodução Inter TV RJ)

“Os parentes que desceram com ele. Quero meu filho. Meu filho desceu, deixaram lá embaixo e agora ninguém acha. Eu não estou dormindo”, disse Adalto Vieira da Silva, pai de Lucas, em reportagem do dia 22 de fevereiro.

Ele conta com a ajuda do tio de Lucas nas buscas pelo corpo. “Podem ter enterrado por engano, não tem outra explicação”, diz Ricardo Rufino sobre o sumiço do corpo do sobrinho.

Lucas Rufino, de 20 anos, desapareceu no Morro da Oficina após chuva em Petrópolis — Foto: Portal dos Desaparecidos/Polícia Civil
Lucas Rufino, de 20 anos, desapareceu no Morro da Oficina após chuva em Petrópolis (Foto: Portal dos Desaparecidos / Polícia Civil)

Segundo a Polícia Civil, no entanto, o corpo reclamado pela família é, na verdade, de um vizinho de Lucas, que foi levado para o Instituto Médico Legal e identificado através das impressões digitais (papiloscopia) .

Em nota, a polícia afirmou que não havia confirmação da entrada do corpo de Lucas Rufino da Silva no Instituto Médico Legal (IML) de Petrópolis.

“Um outro cadáver, com características físicas semelhantes às dele e que foi resgatado na mesma localidade, pode ser fruto do mal-entendido. Gilberto Martins foi reconhecido por meio de exame papiloscópico e liberado para a família. Inclusive foi coletado material para exame de DNA em um despojo que deu entrada no IML no mesmo dia em que parentes afirmam que o corpo de Lucas teria dado entrada”, afirma a nota.

Famílias pedem que buscas continuem

Heitor Carlos dos Santos, de 61 anos, que estava em ônibus arrastado pela água em Petrópolis — Foto: Reprodução
Heitor Carlos dos Santos, de 61 anos, que estava em ônibus arrastado pela água em Petrópolis (Foto: Reprodução)

Heitor Carlos dos Santos é outra vítima dos alagamentos que estava em um ônibus arrastado pela força da água e da lama no rio Quitandinha. Segundo Jaqueline, sobrinha de Heitor, ele estava voltando para casa, no bairro Ponte Fones, quando foi surpreendido.

Familiares de pessoas que desapareceram e estavam nos ônibus levados pelo Rio se reuniram com o prefeito de Petrópolis e com o Corpo de Bombeiros. Segundo Jaqueline, as buscas precisam ser minuciosas:

“Estamos arrasados com toda essa situação. Como ainda não foi encontrado, não podemos deixar que as buscas parem. Essas buscas precisam ser feitas em toda a extensão do rio Piabanha, que recebeu toda a água do rio Quitandinha. Além dos rios, é preciso procurar nas matas próximas ao leito do rio porque as águas percorreram uma grande distância, invadindo ruas e propriedades”, avaliou.

Antônio Carlos dos Santos, de 56 anos, está desaparecido após ônibus ter sido arrastado pela água — Foto: Portal dos Desaparecidos/Polícia Civil
Antônio Carlos dos Santos, de 56 anos, está desaparecido após ônibus ter sido arrastado pela água (Foto: Portal dos Desaparecidos/Polícia Civil)

Antônio Carlos dos Santos, de 56 anos, está desaparecido após ônibus ter sido arrastado pela água — Foto: Portal dos Desaparecidos/Polícia Civil

Julio Cesar dos Santos, que mora no Rio, contou que refez o trajeto que o irmão Antônio Carlos, de 56, fez no dia em que desapareceu. Segundo ele, o número de desaparecidos pode ser ainda maior.

“Andamos no trajeto que ele fez no dia da chuva, tiramos foto das câmeras. Além dele, com certeza tem mais gente enterrada naquele rio ali. Meu enteado viu muitos corpos passando. Não é meu irmão, nem o garotinho (Pedro Henrique) nem o outro senhor (Heitor). Tem muita gente soterrada, muita gente sumiu”, alega ele, um dos 12 irmãos de Antônio Carlos. “Somos 12 irmãos. Com ele sumido, agora, somos 9”, finalizou.

Fonte: G1