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Quarenta pessoas morreram afogadas na França nos últimos dias ao tentarem se refrescar para escapar da onda de calor recorde que atinge o país, afirmou o primeiro-ministro do país nesta terça-feira (23). Na segunda-feira, o país registrou a tarde e a noite mais quentes desde o início dos registros, em 1947.
Mais de 50 departamentos (principais subdivisões administrativas e territoriais da França, localizados logo abaixo das regiões) do país estão sob alerta vermelho, em uma situação descrita pelos meteorologistas como sem precedentes.
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“A quinta-feira será novamente um dia de calor intenso, com as temperaturas permanecendo muito elevadas. Para a sexta-feira, espera-se o início de uma queda gradual, começando pela costa do Atlântico”, informou a Météo-France à agência AP.
No sudeste da França, duas crianças, de quatro e dois anos, foram encontradas mortas dentro do carro da família. “As causas das mortes ainda não foram determinadas, mas o calor é a principal linha de investigação”, disse Hélène Mourges, promotora da cidade de Carpentras, informa o The Guardian.
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As mortes somam-se às de três idosos, com idades entre 80 e 95 anos, que faleceram perto de Bordeaux durante o fim de semana em decorrência de problemas de saúde causados pelas temperaturas extremas, segundo autoridades.
Mais de 1.300 escolas foram fechadas na França na segunda-feira, e outras 4.000 reprogramaram as aulas para permitir que os alunos saíssem mais cedo. Um em cada dez serviços de trens regionais na região de Paris foi cancelado devido a preocupações com os trens e as vias.
Na segunda, o país registrou o dia de junho mais quente de sua história — com base em cálculos de médias diurnas e noturnas —, com a temperatura na localidade de Chateaumeillant, na região central, atingindo 43,3ºC.
‘Noites tropicais’
Além das temperaturas diurnas elevadas, especialistas chamam atenção para um fenômeno cada vez mais frequente na Europa: as “noites tropicais”, quando os termômetros não caem abaixo de 20°C durante toda a madrugada. De segunda para terça, a França registrou a noite mais quente de sua história, com 21.6ºC, informa a Al Jazeera.
Embora comuns em regiões tropicais, essas noites vêm se tornando mais frequentes em países de clima temperado devido ao aquecimento global. A persistência do calor durante a noite aumenta o chamado “estresse térmico cumulativo”, quando o corpo deixa de se recuperar entre um dia quente e outro. Esse fenômeno está associado ao aumento de internações e mortes.
O problema é agravado pelo fato de que o ar-condicionado ainda é pouco disseminado na Europa. Apenas cerca de 20% dos edifícios do continente possuem sistemas de refrigeração, tornando milhões de pessoas mais vulneráveis durante episódios prolongados de calor.
Fonte: Um Só Planeta – Foto: Um Só Planeta