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Pesquisadores de diferentes países manifestaram preocupação com projetos que preveem o uso de satélites com espelhos refletivos e a expansão massiva de equipamentos na órbita baixa da Terra. As propostas estão sob análise da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC).
Cartas enviadas ao órgão por presidentes de quatro sociedades científicas internacionais, que reúnem cerca de 2.500 pesquisadores, apontam riscos para a saúde humana e para o equilíbrio ambiental. Segundo eles, a escala prevista “representaria uma alteração significativa do ambiente natural de luz noturna em nível planetário”.
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Um dos projetos, da startup Reflect Orbital, prevê o uso de satélites capazes de redirecionar a luz do sol para áreas específicas durante a noite. A iluminação poderia cobrir regiões de até 6 km de largura e variar de intensidade, indo do brilho de lua cheia até algo próximo à luz do meio-dia. A empresa afirma que a tecnologia poderia ampliar a geração de energia solar, apoiar obras e auxiliar em situações de emergência.
Ao mesmo tempo, a SpaceX propôs lançar até 1 milhão de satélites para formar uma rede orbital voltada ao processamento de inteligência artificial. A ideia, segundo a empresa, é reduzir o consumo de energia de centros de dados na Terra.
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Para especialistas, porém, o impacto dessas iniciativas pode ser amplo. Alterações no ciclo natural de claro e escuro tendem a interferir no relógio biológico de humanos e animais, afetando sono, produção hormonal e até rotas migratórias. Plantas e organismos marinhos também podem sofrer consequências.
“Estamos dizendo: pensem antes de avançar com isso, porque pode ter implicações globais, inclusive para a segurança alimentar. As plantas precisam da noite. Não dá para simplesmente eliminá-la”, alertou o geneticista Charalambos Kyriacou, da Universidade de Leicester, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Estudos citados por organizações ambientais indicam que o número atual de satélites já elevou o brilho difuso do céu noturno em cerca de 10%. Projeções apontam aumento contínuo até 2035, aproximando-se de limites considerados críticos para a observação astronômica.
Para a pesquisadora Tami Martino, da Universidade de Guelph, o ponto central não é a intensidade da luz em comparação com a lua, mas a sensibilidade dos organismos. “Os sistemas circadianos respondem a níveis de luz muito abaixo do que os humanos percebem como claros. Se o céu noturno ficar permanentemente mais brilhante, os efeitos podem se espalhar pelos ecossistemas de formas ainda desconhecidas.”
Outra carta, assinada por entidades ligadas ao estudo do sono, destaca que a desregulação do ritmo biológico não é um incômodo simples, mas um fator associado a problemas graves de saúde.
Organizações pedem que a FCC exija uma avaliação ambiental completa antes de qualquer aprovação e estabeleça limites para o brilho artificial no céu noturno. Também há preocupação com riscos de segurança, como reflexos intensos ou falhas nos sistemas de iluminação.
Especialistas afirmam que, sem controle, o aumento do número de satélites pode transformar o céu noturno. Em alguns locais, objetos artificiais podem superar a quantidade de estrelas visíveis, afetando tanto a fauna quanto a própria experiência humana de observar o céu.

Fonte: Um Só Planeta