Primeiros pacientes recebem soro contra picada de abelhas em Botucatu

Pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) receberam pela primeira vez o soro Antiapílico, tiveram alta e passam bem de saúde. “Eles estão super felizes. Eles foram as primeiras pessoas do planeta a receber um tratamento específico contra as picadas de abelhas africanizadas, as mais comuns no Brasil”, diz o  pesquisador e coordenador do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), Rui Seabra Ferreira Jr, localizado na Unesp de Botucatu.

Pesquisador Rui Seabra Jr e sua equipe

Foram dois casos de pacientes que chegaram juntos ao hospital, no dia 22 de agosto deste mês. Ela com aproximadamente 400 picadas e ele com 60. O soro foi aplicado com a dosagem recomendada pelos pesquisadores. “Ao saberem do soro, eles foram rapidamente encaminhados aqui para o hospital”, explica o pesquisador. Os pacientes são da cidade de Avaré, a 90 Km de Botucatu. 

O medicamento é recebido por via intravenosa. Cerca de 10 mililitros (ml) trazem ao corpo uma quantidade de anticorpos capaz de neutralizar os problemas causados pelas picadas de aproximadamente 100 abelhas. Quando um adulto é picado por mais de 500 insetos, o corpo recebe uma quantidade de veneno suficiente para causar lesões nos rins, fígado e coração, debilitando esses órgãos. A maioria das mortes acontece pela falência dos rins.

Os ensaios clínicos foram aprovados no mês de abril, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), com apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde, autorizaram o teste em humanos.

A pesquisa está na fase I/II do estudo, quando 10 pacientes serão avaliados quanto à segurança do produto. “Nós possuímos um protocolo de atendimento com rígidos critérios de inclusão e exclusão. Os médicos participantes do projeto serão responsáveis por definir qual paciente tem a indicação de soroterapia específica e a dose necessária”, explica Rui. Após a escolha dos pacientes e aplicação do soro, os pesquisadores passarão para a  “fase III com mais de 300 pacientes”, complementa Rui.

O professor diz que ao final desta fase, solicitará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a aprovação de novos centros de pesquisa espalhados pelo Brasil, possibilitando assim o acesso maior das pessoas ao tratamento inédito. Atualmente, o soro antiapílico está disponível apenas nas cidades de Botucatu (onde fica a instituição sede da pesquisa, a 238 km de São Paulo), em Tubarão (SC), e Uberaba (MG).

A responsabilidade pela aplicação do produto nos pacientes é da Upeclin, e o especialista responsável pela condução do estudo é o médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina, da Unesp de Botucatu, Alexandre Naime Barbosa, do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem. A coordenação geral do estudo é do professor Benedito Barravieira, do mesmo departamento. O soro antiapílico é produzido pelo Instituto Vital Brasil, localizado na cidade na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. 

Mais informações no site www.cevap.unesp.br ou diretamente na Unidade de Pesquisa Clínica (Upeclin), da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, ou pelo telefone 24 horas (14) 996671717.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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