Presos de Balbinos produzem mais de 300 itens artesanais para ajudar pacientes com câncer

A Penitenciária I “Rodrigo dos Santos Freitas” de Balbinos realizou, na semana passada, a 9ª fase do projeto “Tecer a Vida”, que busca ajudar pacientes com câncer. O programa, que começou em 2016, rendeu 320 peças de crochê, como tapetes artesanais, toucas, chaveiros, bonecos (amigurumis), entre outros. O material é doado para a realização de bazares e rifas e todo dinheiro arrecadado é investido no tratamento de pacientes do Hospital de Câncer de Barretos. A ação funciona de forma voluntária e reúne, atualmente, 40 reeducandos que trabalham e possuem renda mensal.

São eles, portanto, que compram parte do barbante e linha para a confecção dos itens. Os detentos contam, ainda, com ajuda da Associação Voluntária de Combate ao Câncer (AVCC) de Barretos, para adquirir o restante da matéria-prima para dar continuidade à ação solidária. Integrantes da AVCC, inclusive, visitaram o estabelecimento penal, a exemplo do que fizeram outras vezes, para ver de perto os autores de gesto tão nobre em um ambiente considerado hostil.

A visita, que obedeceu todos os protocolos de saúde voltados à prevenção de contágio da Covid-19, é realizada não somente para fazer a retirada das peças, mas, principalmente, como forma de incentivar os reeducandos a manter o projeto.

MUDANÇA DE HÁBITOS

O programa busca, também, promover uma mudança de hábitos para inseri-los no contexto de ações solidárias tanto dentro quanto fora do presídio, quando retornarem ao convívio social, conforme destaca o Agente de Segurança Penitenciária (ASP) e coordenador do projeto “Tecer a Vida”, Paulo Oliveira dos Santos.

“As ações superaram as minhas expectativas, pois já estamos na nona fase do programa, totalizando mais de 3 mil produtos artesanais doados ao Hospital de Câncer de Barretos, o que contribui para o tratamento dos pacientes. Já são cinco anos com esse propósito de fazer o bem ao próximo e pretendemos continuar”, projeta Santos.

TERAPIA

Para um dos reeducandos que participou da ação, o trabalho realizado serve como terapia em meio ao ambiente do cárcere. “Sinto-me útil ao próximo e desperta em mim um sentimento de poder amenizar o sofrimento de pessoas com câncer, levando amor e esperança a elas”, destaca. “É uma satisfação poder colaborar e ajudar os pacientes do Hospital de Barretos. Traz uma paz interior que há tempos não sentia”, completa outro detento.

OUTRAS AÇÕES

Durante o período de realização do projeto, foram realizadas diversas atividades, como palestras e diálogos entre presos e representantes do Hospital de Câncer de Barretos, exibição de vídeos com teor reflexivo referente ao trabalho realizado pela unidade de saúde e apresentação do livro de poesias escrito por um dos reeducandos que atuam no programa.

Paralelo à produção dos itens artesanais, a Penitenciária I de Balbinos arrecadou mais de 30 mil tampas plásticas de diversos recipientes, como garrafas pets, shampoos, desodorantes, entre outros. A iniciativa busca trocar o material por cadeiras de rodas – 10 mil tampinhas equivalem a uma cadeira.

Fonte: SAP