Presidente eleito da Colômbia, Petro promete fronteira aberta com Venezuela

Presidente eleito da Colômbia, Gustavo Petro disse nesta quarta-feira (22) por meio do Twitter que entrou em contato com o governo da Venezuela e vai reabrir a fronteira entre os dois países, que teve diversas fases de fechamento parcial e total nos últimos anos.

“Eu me comuniquei com o governo venezuelano para abrir as fronteiras e restabelecer o pleno exercício dos direitos humanos na área”, tuitou Petro.

Ao ganhar a eleição de domingo (19), Petro tornou-se o primeiro presidente de esquerda eleito na Colômbia. Ele não deixou claro se se comunicou diretamente com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro — que tinha enviado mensagem cumprimentando-o pela vitória. Mas o chanceler venezuelano, Carlos Faria, disse que Caracas espera “construir uma nova era” na relação entre as duas nações.

Gustavo Petro e Francia Marquez na comemoração da vitória, em 19 de junho de 2022 (Foto: Reprodução)

A fronteira dos dois países foi fechada em 2015 pelo governo venezuelano após um confronto entre forças de segurança venezuelanas e civis, que Nicolás Maduro atribuiu ao “paramilitarismo” na Colômbia e pelo qual culpou o então presidente colombiano Álvaro Uribe, que negou as acusações.

Nos anos seguintes, a situação se normalizou gradativamente, mas em 2019, mais uma vez, a Venezuela fechou a fronteira, em meio a uma escalada de tensões entre os governos de Maduro e de Iván Duque.

A pandemia de 2020 fez com que a Colômbia fechasse suas fronteiras em março daquele ano, embora as tenha reaberto em junho de 2021.

Multidão atravessa ponte rumo a Cucutá, na fronteira entre Venezuela e Colômbia, em 2016 (Foto: Reprodução)

As pontes internacionais Simón Bolívar, Santander e Unión entre o departamento de Norte de Santander (Colômbia) e o estado de Táchira (Venezuela) foram fechadas. Outras passagens, no entanto, como Maicao, no departamento de La Guajira (Colômbia) e Maracaibo, em Zulia (Venezuela), ficaram em sua maioria abertas.

As relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá vinham bastante degradadas desde 2019, quando o governo colombiano reconheceu o opositor Juan Guaidó como “presidente legítimo” da Venezuela. Guaidó tentou derrubar o regime de Maduro com apoio internacional, mas não conseguiu, e o fato é que o poder continuou na mão dos chavistas, portanto é com eles que precisariam ser definidas medidas práticas como questões de fronteira.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas (Foto: Reprodução)

Os dois países compartilham uma linha de mais de 2,2 mil quilômetros de fronteiras. Estima-se que mais de 2 milhões de venezuelanos buscaram refúgio no país vizinho nos últimos cinco anos.

Até o fechamento da passagem, milhares de venezuelanos e colombianos a atravessavam rotineiramente para atividades de natureza comercial, educacional e sanitária. Mas por serem bastante porosas, as fronteiras também favoreciam ações ilegais de narcotraficantes, contrabandistas e grupos guerrilheiros.

O presidente eleito Gustavo Petro afirmou que restabelecerá as relações com a Venezuela de Nicolás Maduro após três anos de ruptura e graves acusações trocadas entre Caracas e Bogotá.

Fonte: Yahoo!