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Uma formiga rainha alada preservada em âmbar há cerca de 16 milhões de anos está ajudando cientistas a reconstruir a história evolutiva dos ecossistemas tropicais do Caribe. A espécie inédita, batizada de Hypoponera electrocacica, foi descrita em estudo publicado na revista científica Journal of Paleontology e revela que esse grupo de formigas já habitava a região durante o período Mioceno, aponta o Phys.org.
O fóssil foi encontrado na República Dominicana, conhecida mundialmente por seus depósitos de resina fossilizada capazes de preservar organismos com nível excepcional de detalhe. A descoberta representa o primeiro registro fóssil do gênero Hypoponera no Hemisfério Ocidental, com o mapa evolutivo de um dos grupos de formigas mais abundantes do planeta atualmente.
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Segundo os autores do estudo, o gênero reúne mais de 150 espécies distribuídas principalmente em regiões tropicais e subtropicais, vivendo no solo das florestas e na serapilheira — a camada formada por folhas e matéria orgânica em decomposição. Apesar dessa ampla distribuição, sua trajetória evolutiva ainda é pouco compreendida.
Em entrevista ao Phys.org, o pesquisador Fiorentino explicou que o grupo historicamente foi tratado como uma espécie de “categoria genérica”, reunindo espécies com relações evolutivas pouco definidas. “Não entendemos bem as relações evolutivas dos representantes modernos e, portanto, tentar relacionar esse fóssil a qualquer linhagem atual é muito desafiador”, afirmou.
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Fóssil improvável
A raridade da descoberta está diretamente ligada ao chamado viés de fossilização — fenômeno que determina quais organismos têm maior probabilidade de serem preservados ao longo do tempo geológico.
O âmbar costuma aprisionar espécies que vivem em árvores, como formigas arborícolas dos gêneros Pseudomyrmex, Cephalotes e Azteca. Já o gênero Hypoponera habita predominantemente o solo florestal, o que torna quase impossível que seus indivíduos fiquem presos em resina.
“É muito improvável que uma pequena formiga da serapilheira fique presa na resina da árvore”, explicou Fiorentino. Por isso, registros fossilizados desse grupo são considerados excepcionais pela comunidade científica.
Outro fator que chama atenção é o fato de o exemplar ser uma rainha alada, pertencente à casta reprodutiva. A maioria dos fósseis conhecidos de formigas corresponde a operárias, o que dificulta comparações diretas com espécies modernas.
Até então, apenas uma outra espécie fossilizada do gênero havia sido identificada — Hypoponera atavia, preservada em âmbar do Mar Báltico e descrita originalmente no século XIX.
Sobre as florestas tropicais
O achado contribui para compreender como comunidades de insetos estavam dispostas milhões de anos antes das atuais florestas tropicais.
De acordo com os pesquisadores, fósseis ajudam a revelar níveis de diversidade invisíveis no registro geológico, especialmente de organismos pequenos e subterrâneos, frequentemente ausentes em depósitos fossilíferos.
A descoberta reforça que a biodiversidade tropical, hoje central nas discussões sobre conservação, possui raízes evolutivas profundas, moldadas por processos ecológicos que antecedem em milhões de anos os ecossistemas contemporâneos.
Fonte: Um Só Planeta