Prefeita de Pederneiras faz denúncia na polícia após ser ofendida em rede social

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A prefeita de Pederneiras (SP), Ivana Camarinha (PV), registrou boletim de ocorrência após ser ofendida nas redes sociais por um internauta que a chamou de “monoteta” em um comentário feito num post que criticava ações da prefeitura com relação à vacinação contra a Covid-19 na cidade.

Prefeita que teve câncer de mama faz denúncia na polícia após xingamento envolvendo doença em rede social (Foto: Facebook/Reprodução)

O termo usado pelo internauta se referia ao fato de a prefeita ter retirado uma das mamas durante sua luta para vencer um câncer no início dos anos 2000. O caso foi registrado na Polícia Civil nesta segunda-feira (8) pelos crimes de injúria, difamação, calúnia e injúria qualificada, este último com pena de reclusão de um a três anos e multa.

Em suas redes sociais, Ivana, de 54 anos, publicou uma nota de repúdio na qual destaca o caráter preconceituoso do comentário feito pelo internauta.

A postagem original e o comentário do agressor já foram apagados. O suspeito também desativou seu perfil na rede social.

A prefeita, que iniciou neste ano seu terceiro mandato à frente do Executivo de Pederneiras – antes, comandou a cidade de pouco mais de 47 mil habitantes de 2005 a 2012 –, disse que ficou inconformada com o ataque que classificou como “vulgar e baixo”.

“É uma agressão contra as mulheres, contra os doentes, contra as deficiências em geral. Na política escuto todo tipo de ofensas, mas essa extrapolou todos os limites de maneira violenta. Confesso que me choquei quando vi, mas não quero me deixar abater”, disse a prefeita.

Ivana relembra que durante os anos de 2002 a 2003 foi diagnosticada com câncer de mama, sendo submetida a tratamento com quimioterapia, radioterapia, e por fim, à retirada da mama direita e dos nódulos.

“Sei bem o que passam as mulheres que precisam de força para vencer essa doença. Além do risco de morte e da angústia e do medo que o diagnóstico de câncer é capaz de despertar, perder os cabelos e ter uma mama retirada destrói nossa autoestima. Eu superei, mas muitas outras mulheres continuam lutando e um ataque desses é uma ofensa a todas essas mulheres”, diz Ivana.

A prefeita informou ainda que pretende levar o caso até as últimas consequências. Além da denúncia na Polícia Civil, Ivana Camarinha diz que vai encaminhar o caso também ao Ministério Público.

“As pessoas têm que aprender a respeitar, não precisa gostar de mim, pode fazer crítica, mas nunca vou me silenciar diante de comentários graves e abusivos, encorajados pela sensação de anonimato das redes sociais”, disse.

Prefeita Ivana Camarinha publicou nota de repúdio em suas redes sociais: "Não vou me abater" — Foto: Facebook/Reprodução
Prefeita Ivana Camarinha publicou nota de repúdio em suas redes sociais: “Não vou me abater” (Foto: Facebook/Reprodução)

Segundo o delegado Marcelo Bertoli Gimenes, foram lavrados quatro boletins de ocorrências sobre o caso, sendo um de injúria e difamação, outro de calúnia e difamação, outro de difamação e o último de injúria qualificada.

O delegado explica em relação aos crimes de injúria, difamação e calúnia foram lavrados termos circunstanciados, um formato mais simples de apuração policial.

Já com relação ao crime de injúria qualificada, com pena de reclusão de um a três anos e multa, será instaurado um inquérito policial. Gimenes explica que a injúria é qualificada quando há utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, ou à condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

A prefeita Ivana Camarinha foi ouvida nesta segunda-feira e o delegado reuniu provas, como páginas da rede social. Nesta terça-feira (9), serão ouvidas testemunhas e logo em seguida serão intimados os autores suspeitos da agressão.

Íntegra da Nota de Repúdio

No último sábado, dia 06, recebi a informação de um ato de violência bastante grave em um comentário de uma postagem no Facebook. Um ato de desrespeito não só contra mim, mas contra todas as mulheres.

O comentário, que era para fazer uma crítica sem qualquer fundamento acerca de uma ação realizada pela Prefeitura, se aproveitou da doença para me atacar covardemente, me chamando de “monoteta”. Vivemos em uma democracia e sempre vou defender a voz de cada cidadão. Mas nunca vou me silenciar diante de comentários graves e abusivos, encorajados pela sensação de anonimato das redes sociais.

Durante os anos de 2002 a 2003, fui diagnosticada com câncer de mama. Fiz tratamento com quimioterapia, radioterapia, e por fim fiz a retirada da mama direita e dos nódulos. Além do risco de morte e a angústia e medo que o diagnóstico de câncer é capaz de despertar, perder os cabelos e ter uma mama retirada destrói nossa autoestima. Foi uma batalha difícil mas eu superei, como muitas outras mulheres continuam lutando e vencendo essa doença.

Como refletido por aquele comentário, o preconceito com o câncer ainda existe. Segundo pesquisa do DataPopular, embora a chance de cura do câncer de mama chegue a 95% caso a detecção seja precoce, uma parcela das mulheres brasileiras ainda vê a doença como incurável. Para 20% das mulheres, o diagnóstico do câncer de mama é praticamente uma sentença de morte. E mais: muitos maridos deixam suas esposas por alegarem que as mesmas perderam sua feminilidade depois da doença. Graças a Deus, eu tive o apoio da minha família e amigos, que me deram forças para lutar. Entretanto, muitas mulheres não tem a mesma sorte, justamente pelo preconceito gerado acerca dessa enfermidade, levando as portadoras a não procurarem ajuda médica precoce. E isso é muito preocupante.

O comentário retrata outro preconceito: o da participação ativa da mulher na política. Muitas mulheres sofrem com campanhas difamatórias para prejudicar sua imagem. Sempre trabalhei com honestidade, empenho e transparência e isso se reflete nas urnas: estou Prefeita de Pederneiras pelo 3º mandato. E vou continuar com a cabeça erguida e com muita fé para melhorar cada dia mais a vida de cada cidadão desta cidade que tanto amo.

Minha experiência como portadora de câncer de mama e preocupada com a saúde feminina me fez criar, em 2007, o Centro de Atenção à Saúde da Mulher, unidade de saúde municipal onde são ofertados mensalmente cerca de 900 procedimentos entre consultas ginecológicas, exames preventivos do câncer de colo de útero, do câncer de mama, entre outras doenças que atingem a saúde da mulher. O centro se tornou referência regional no cuidado à saúde feminina, sendo reproduzido em diversas outras cidades.

E saber que o comentário foi publicado na postagem de uma mulher que deveria representar seu gênero na política, me entristece bastante. A pessoa que justamente deveria ser aquela a colaborar com a promoção da igualdade de gênero para reverter a situação do machismo e desrespeito às mulheres, em nenhum momento, se solidarizou com o ocorrido.

Além de Prefeita, sou mãe, sou esposa, sou filha, sou mulher, sou SER HUMANO. Mais uma vez, reitero que tenho ciência que críticas a qualquer administração pública são atos democráticos, mas o que foi escrito, foi um DESRESPEITO com toda a minha história e com a história de várias mulheres, e isso é inadmissível. Já fiz um Boletim de Ocorrência e já estou tomando as devidas medidas judiciais.

Agradeço todos os comentários, ligações e mensagens de apoio e carinho que recebi desde o momento que o fato se tornou público. Vocês me dão força para continuar porque sei que estou no caminho certo. À todas as mulheres, saibam que estou aqui trabalhando por vocês. Sororidade existe sim e estou aqui para defender e estimular essa união. E como escrito em um dos comentários que recebi, CADA UM DÁ O QUE TEM NO CORAÇÃO. E o que quero desejar para esta pessoa e para todas as outras iguais a ela é muita saúde, vida longa e bençãos divinas. Só o amor e a empatia pode curar o preconceito e o desrespeito. #NãoAViolênciaContraAMulher.

Fonte: G1

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