Piracicaba registra em 2021 maior número de casos de dengue em 14 anos

Piracicaba registrou o maior número de casos de dengue em 14 anos em 2021, segundo o último balanço da prefeitura. O quadro é considerado epidêmico.

De acordo com a Secretaria de Saúde, foram 5.354 confirmações da doença de janeiro até 23 de dezembro. Os dados são parciais e devem ser revisados pela prefeitura nas primeiras semanas do ano.

Em comparação com a série histórica, apenas o ano de 2007 registrou mais casos, com 5.681 confirmações. Os números são do Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba (Ipplap).

Além disso, em 2021 Piracicaba também confirmou uma morte pela doença. O óbito foi confirmado em agosto e o paciente era um homem com idade entre 80 e 90 anos, que era morador do distrito de Tanquinho, zona rural da cidade.

Segundo o coordenador da Vigilância em Saúde, Moisés Taglieta, o quadro da doença em 2021 foi epidêmico, apesar do índice de infestação do mosquito Aedes Aegypti estar dentro da normalidade.

“Dengue é uma doença que você tem uma grande dificuldade de entender porque tem determinado ano com um número muito alto e o outro ano não. Você tem circulação muitas vezes de uma cepa que não circula há muito tempo, embora a gente não tenha tido essa notícia esse ano. E a gente manteve sob controle a infestação do mosquito”, explicou.

Ainda conforme Taglieta, em alguns anos mesmo com a infestação de mosquitos em alta, o número de casos não cresce. Em outros, a infestação é controlada e acontece uma epidemia, como foi o caso de 2021. “E a dengue tá relacionada diretamente com infestação de mosquito, porque não passa de pessoa pra pessoa.”

Influência da pandemia

O coordenador explica que este ano a pandemia da Covid-19 também influenciou no cenário da dengue em Piracicaba, principalmente em relação às vistorias que os agentes da prefeitura fazem nas casas. “O índice de recusa, que é a recusa dos agentes entrarem nas casas para fazer o trabalho de vistoria, foi alto”, afirmou Moisés.

Recusa a vistoria de agentes da dengue atrapalham combate à doença em Piracicaba, alerta coordenador — Foto: Divulgação/ Prefeitura de Piracicaba
Recusa a vistoria de agentes da dengue atrapalham combate à doença em Piracicaba, alerta coordenador (Foto: Divulgação/ Prefeitura de Piracicaba)

As motivações principais, segundo ele, são a pandemia e o medo de sofrer golpes ou assaltos. Diante disso, este ano guardas municipais passaram a acompanhar os agentes nas visitas para dar mais segurança à população.

Outro fator que influenciou, conforme Taglieta, é que a pandemia fez com que as pessoas ficassem mais tempo em casa e o Aedes Aegypti é um mosquito “intradomiciliar”.

“As pessoas passaram muito tempo dentro das casas, dentro dos seus locais, e sem talvez essa inspeção, que na realidade é feita por cada um de nós, né? Dentro dos nossos imóveis. Então essa possibilidade de as pessoas se infectarem por um mosquito que é essencialmente domiciliar e de hábito diurno… Quando você tem mais gente dentro de casa durante o dia, a chance disso acontecer também aumenta.”

Ainda assim, Taglieta argumenta que isso é uma conjectura, que não é possível afirmar um único motivo para o aumento de casos de dengue em 2021. “A gente não tem como dizer exatamente porque nesse ano nós tivemos muito mais casos que nos outros, mas é um conjunto de toda essa situação.”

Perspectivas para 2022

Moisés Taglieta afirmou que não há possibilidade de prever um cenário para a dengue em 2022, mas que é necessário prevenir por meio do combate a criadouros, para manter o nível de infestação do mosquito baixo.

“O hábito da população tem que mudar. Tem que se tomar cuidado com isso, não pode deixar criadouro […] As pessoas acabam imaginando que criadouro é aquilo que tem água parada. Na verdade criadouro é tudo que possa vir a parar água.”

Segundo ele, a prefeitura também vai continuar fazendo ações de prevenção, como as vistorias nas casa e o recolhimento de entulho dos bairros.

Fonte: G1

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