09 de janeiro, 2026

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Pesquisa de Botucatu aponta planta brasileira como aliada contra inflamações

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Estudo liderado por instituto de Botucatu indica redução de inflamação e proteção articular em testes laboratoriais com periquito-da-praia

Uma pesquisa com protagonismo do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB/Unesp) apontou o potencial anti-inflamatório de uma planta tradicionalmente utilizada na medicina popular brasileira. O estudo demonstrou que o extrato da Alternanthera littoralis, conhecida como periquito-da-praia, reduziu inflamações, protegeu o tecido articular e apresentou perfil de segurança promissor em testes com camundongos com artrite.

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O trabalho foi desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Unesp. A coordenação científica esteve a cargo da professora Arielle Cristina Arena, docente do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do IBB/Unesp e coordenadora do Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Instituto. Parte relevante dos resultados foi produzida no mestrado de Felipe Parizoto, da UFGD, sob orientação da professora Arielle. Os dados foram publicados no Journal of Ethnopharmacology, periódico internacional de referência na área.

Nativa do litoral brasileiro, a Alternanthera littoralis é utilizada há gerações por comunidades locais no tratamento de inflamações, infecções e doenças parasitárias. Apesar do uso tradicional, havia poucas evidências farmacológicas sistematizadas sobre sua eficácia e segurança, lacuna que a pesquisa buscou preencher.

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O estudo começou com análises fitoquímicas das partes aéreas da planta para identificação de compostos bioativos. A partir desse processo, foi preparado um extrato etanólico, método amplamente empregado em pesquisas científicas, que posteriormente foi avaliado em modelos experimentais de artrite em camundongos.

Os resultados indicaram redução significativa do edema, melhora dos parâmetros articulares e menores sinais de degeneração das articulações nos grupos tratados, em comparação aos controles. Também foi observada a modulação de mediadores inflamatórios e de marcadores relacionados ao estresse oxidativo. “Nos modelos experimentais, observamos redução do edema, melhora dos parâmetros articulares e modulação de mediadores inflamatórios, sugerindo ações antioxidantes e de proteção dos tecidos”, explicou a professora Arielle Cristina Arena.

Além da eficácia, a pesquisa deu ênfase à avaliação da segurança do extrato, conduzida no Laboratório de Toxicologia de Produtos Naturais e Sintéticos (LabToxNS), sediado no IBB/Unesp. Segundo os pesquisadores, nas doses analisadas não foram observados efeitos adversos relevantes nos animais, o que indica um perfil de segurança promissor para o avanço das investigações.

A coordenadora do estudo ressaltou que o extrato avaliado em laboratório não equivale ao uso da planta in natura. O material vegetal passou por um processo controlado de extração, com método definido, controle rigoroso de concentração e dose, padronização química e rastreabilidade botânica, critérios considerados essenciais para garantir segurança, reprodutibilidade e confiabilidade científica.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores destacam que ainda não é possível recomendar o uso clínico da planta. São necessários novos estudos para isolar os compostos responsáveis pela atividade anti-inflamatória, avaliar a segurança em longo prazo, padronizar o extrato e, posteriormente, realizar ensaios clínicos em humanos, além do cumprimento das etapas regulatórias.

Segundo a professora Arielle, a pesquisa integra uma linha contínua de investigação desenvolvida em cooperação entre UFGD, Unesp e Unicamp. O objetivo é valorizar a biodiversidade brasileira e o conhecimento tradicional com base científica rigorosa, promovendo o uso seguro e racional de produtos naturais.

O estudo reforça o papel do IBB/Unesp como referência em pesquisa básica e aplicada, conectando biodiversidade, inovação científica e impacto social, especialmente no campo das doenças inflamatórias crônicas. A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por meio de diferentes projetos de fomento e teve repercussão em veículos de comunicação científica no Brasil e no exterior.

Professora Arielle Arena é a coordenadora científica do estudo.

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