Parlamentar britânico morre após ser esfaqueado durante evento em igreja

Um deputado conservador britânico, David Amess, morreu nesta sexta-feira (15) após ser esfaqueado “várias vezes” durante um evento em seu distrito no sudeste da Inglaterra, comovendo um país ainda marcado pelo assassinato em 2016 da deputada trabalhista Jo Cox.

“Nossos corações estão cheios de emoção e tristeza hoje pela morte do deputado David Amess, que foi assassinado (…) depois de quase 40 anos de serviço aos seus eleitores e a todo o Reino Unido”, afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson em declarações à imprensa britânica.

A polícia do condado de Essex recebeu uma ligação “pouco depois de 12h05 (09h05 no horário de Brasília) para informar que o senhor Amess, de 69 anos, havia sido esfaqueado”, explicou a polícia em um comunicado, destacando que “apesar dos esforços dos paramédicos, infelizmente, ele morreu no local”.

“Um homem de 25 anos foi detido como suspeito do assassinato e está em prisão preventiva”, afirmou.

Até o momento, não se sabe as motivações do autor do crime.

Os serviços antiterroristas assumiram a investigação deste homicídio, anunciou a polícia do condado de Essex nesta sexta-feira à tarde.

“A investigação está começando e está sendo realizada por agentes da direção antiterrorista”, disse à imprensa Ben-Julian Harrington, responsável policial em Essex.

“As investigações determinarão se foi um incidente terrorista ou não”, acrescentou.

“Recuperamos uma faca no local do crime e não estamos procurando mais ninguém relacionado ao ataque”, acrescentaram as autoridades, enquanto pediam colaboração de testemunhas ou pessoas “que tenham imagens de suas câmeras de segurança”.

Amess, membro do partido de Johnson e defensor ferrenho do Brexit, descrito pelos seus colegas como um católico fervoroso, homem de grande coração e defensor dos animais, costumava visitar seu distrito para se aproximar de seus eleitores. Nesta sexta-feira, estava em uma igreja metodista de Leigh-on-Sea.

“Ninguém poderia pensar que algo assim aconteceria por aqui”, disse à AFP Ashley Curtis, um morador de 49 anos cuja casa está a 200 metros dessa igreja, em uma área que foi sobrevoada por dois helicópteros e bloqueada com carros da polícia e uma ambulância durante toda a tarde de hoje.

“David Amess é um cara bom. Eu o conheci e conversei com ele no passado”, explicou, considerando que o atacante devia “guardar muito rancor para entrar na igreja metodista enquanto (o político) estava recebendo as pessoas e fazer isso”.

A segurança dos deputados

“Chocado e profundamente triste com o assassinato” de Amess, disse o presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, destacando que “nos próximos dias teremos que debater e analisar a segurança dos deputados e as medidas que devem ser adotadas”.

O ex-presidente do Partido Conservador, Iain Duncan Smith, também expressou sua preocupação com a segurança. “Quando você não está em seu escritório e está em um local público, significa que as medidas de segurança que te recomendam não podem ser tomadas”, tuitou.

Este ataque despertou as piores lembranças em um Reino Unido marcado pelo assassinato, no meio da rua em 2016, da deputada Jo Cox, uma semana antes do referendo do Brexit, pelas mãos de um simpatizante neonazista.

Amess era “um homem encantador e um parlamentar maravilhoso”, acrescentou. O ministro das Finanças, Rishi Sunak, denunciou que “o pior da violência é sua desumanidade”.

“Atacar nossos representantes eleitos é um ataque à própria democracia. Não há desculpas nem justificativa. É a coisa mais covarde que alguém pode fazer”, disse Brendan Cox, viúvo de Cox, assassinada quando tinha 41 anos.

O ataque em 2016 contra essa deputada trabalhista, firme defensora do pertencimento britânico à União Europeia e da causa dos refugiados, comoveu o Reino Unido, em um contexto de forte tensão pela campanha para aquela consulta que dividiu o país.

Fonte: Yahoo!

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