Operação Brasil-Colômbia desarticula mineração ilegal na Amazônia

Uma ação conjunta de forças militares da Colômbia e Brasil contra a mineração ilegal na Amazônia terminou com 24 detidos e quatro explorações de ouro desarticuladas esta semana, informaram, nesta sexta-feira, as autoridades colombianas, que atribuíram a atividade ao crime organizado.

O ministro da Defesa colombiano, Luis Carlos Villegas, disse a jornalistas que a operação culminada na quinta-feira foi organizada no departamento colombiano de Guainía (leste), fronteiriço com o Brasil e Venezuela, com participação de efetivos colombianos e brasileiros.

“Conseguimos capturar 24 pessoas que aceitaram as acusações de estarem exercendo a mineração criminosa”, disse Villegas.

Os detidos, todos colombianos e capturados em flagrante, aceitaram as acusações por crimes ambientais e podem receber uma pena de até oito anos de prisão.

Em comunicado divulgado anteriormente, o Ministério da Defesa informou que durante o desenvolvimento da ofensiva, chamada de Anostomus II, “foram desarticulados quatro pontos destinados à produção ilegal de mineração nos povoados de Morichal e Puerto Colombia”.

“Com a operação, atingimos as organizações fora da lei que divergem da juridição”, apontou o texto, sem detalhar se estes grupos correspondem a guerrilhas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ao Exército de Liberação Nacional (ELN) ou grupos criminosos de origem paramilitar cujo financiamento também depende desta atividade, junto ao narcotráfico.

O exército destacou que, entre dragas em rios e explorações terrestres, nestes lugares se extraem mensalmente mais de 80 quilos de ouro com um valor de aproximadamente 6,6 bilhões de pesos (mais de sete milhões de reais).

Também foi confiscado mercúrio “em grandes quantidades”, que, segundo as autoridades, representa “um grave perigo” para as comunidades da região, onde habitam três populações indígenas, e para suas fontes hídricas.

Os domínios que sofreram intervenção, dentro da reserva natural de Puinawai, na região geográfica do Escudo das Guianas, são considerados “áreas de especial importância ecológica”.

Esta é a segunda operação contra a mineração ilegal realizada nessa região este ano. Em maio, foram detidas 59 pessoas na ofensiva Anostomus I.

“Vamos continuar atacando as frentes de mineração ilegal para propiciar que as reservas naturais da Colômbia sejam preservadas”, enfatizou o ministro.

Colômbia e Brasil estudam “a possibilidade de desenvolver, em 2016, operações conjuntas para assegurar essa área da fronteira” de maneira mais frequente, disse à AFP Francisco Nixon Frota, oficial do comando militar da Amazônia do Exército Brasileiro.

“No Brasil, os crimes ambientais são iguais aos do Estado colombiano: a extração de ouro, pistas de aterrizagem ilegais em que se realiza o contrabando, narcotráfico e também pirataria biológica”, acrescentou.

Mais de 140 mil hectares foram devastados na Colômbia em 2014, cerca de 45 deles na Amazônia. Uma de suas principais causas foi a mineração ilegal.

Enquanto a extração legal no país representou 2,3% de seu PIB em 2012, segundo a estatal Departamento Nacional de Estatísticas (Dane), mais da metade das áreas explorados são ilegais.

Fonte: Yahoo!

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