Anúncios
Por Fernanda Cristina Monzani de Toledo Piza Ely
Muitos pais me procuram com a mesma pergunta:
“Quantas horas de inglês meu filho precisa para ser bilíngue?”
Anúncios
Essa é uma dúvida legítima, mas a resposta costuma surpreender: não é a quantidade de horas que forma uma criança bilíngue, e sim a qualidade do processo.
Ao longo de 30 anos na educação, aprendi que o bilinguismo verdadeiro não acontece por aceleração. Ele acontece por profundidade.
Anúncios
O cérebro da criança aprende quando se sente seguro, envolvido e estimulado. Quando o idioma é apresentado apenas como mais uma disciplina, o aprendizado tende a ser superficial. Mas quando o inglês faz parte de experiências reais, significativas e bem estruturadas, ele passa a ser vivido — e não apenas estudado.
Crianças bilíngues não decoram palavras. Elas constroem significado. Usam o idioma para brincar, se expressar, resolver problemas, contar histórias e interagir com o mundo ao seu redor. Essas experiências autênticas fortalecem conexões cerebrais ligadas à atenção, à memória, à empatia e à flexibilidade de pensamento.
Outro ponto essencial é a estrutura. Um bom processo bilíngue tem acompanhamento, progressão clara e objetivos definidos para cada etapa do desenvolvimento. Isso não significa pressão ou cobrança excessiva, mas sim cuidado com o caminho que a criança percorre. A proficiência não surge por acaso; ela é construída com intencionalidade e constância.
É comum acreditar que uma escola com muitas horas de inglês garante o bilinguismo. No entanto, sem metodologia, sem professores preparados e sem acompanhamento contínuo, a carga horária por si só não sustenta o aprendizado. Da mesma forma, acelerar conteúdos não garante que a criança esteja, de fato, desenvolvendo a língua.
O bilinguismo saudável respeita o tempo da infância. Ele valoriza o erro como parte do aprendizado, fortalece a autoestima e amplia a visão de mundo da criança. Aos poucos, a criança aprende que existem diferentes formas de se comunicar, pensar e compreender a realidade.
Mais do que falar inglês, uma criança bilíngue desenvolve autonomia, confiança e abertura ao novo. Ela cresce preparada não apenas para provas ou viagens, mas para viver em um mundo diverso, conectado e em constante transformação.
O poder do cérebro bilíngue está na construção diária, nas experiências que fazem sentido e no acompanhamento consciente. Não é sobre fazer mais rápido. É sobre fazer melhor.
Sobre a autora
Fernanda Monzani é educadora há 30 anos, autora best-seller da Amazon e fundadora da Cupcake Language Center e da CUP Educational Center. Atua no desenvolvimento de programas educacionais voltados ao bilinguismo, à formação humana e à construção de trajetórias de aprendizagem sólidas e significativas para crianças e famílias.