Número de protestos no mundo mais do que triplicou em 15 anos, diz estudo

O número de protestos ao redor do mundo mais do que triplicou nos últimos 15 anos, segundo o estudo “Protestos Mundiais – Um estudo das principais questões de protesto no século 21”, divulgado nesta quinta-feira (4).

Além disso, alguns dos movimentos recentes estão entre os maiores já registrados – e as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro, no Brasil, aparecem ao lado de marchas do Black Lives Matter, nos Estados Unidos, e ações de fazendeiros indianos, em 2020, como exemplos citados pelos autores Isabel Ortiz, Sara Burke, Mohamed Berrada e Hernán Saenz Cortés.

Foto aérea mostra multidão durante protesto no Largo da Batata, em São Paulo, contra os cortes de verba na educação anunciados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, em maio de 2019 — Foto: Miguel Schincariol/AFP
Foto aérea mostra multidão durante protesto no Largo da Batata, em São Paulo, contra os cortes de verba na educação anunciados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, em maio de 2019 (Foto: Reprodução)

Os autores analisaram mais de 900 movimentos ou episódios, entre os anos de 2006 e 2020, em 101 países e territórios, pesquisando meios de comunicação em sete idiomas diferentes.

No primeiro ano estudado, foram apenas 73 ocorrências, contra 251 no último.

Comparando números, eles chegaram à conclusão de que o período histórico atual se assemelha a temporadas próximas a anos famosos como 1848, 1917 e 1968, “Quando um grande número de pessoas se rebelou contra o modo como as coisas eram, exigindo mudanças”, justificam.

E a principal demanda pode ser resumida ao que chamam de fracasso da democracia, que responde por 54% dos protestos, causados por uma percepção de que o sistema político vigente ou sua representação não cumpriam seu papel.

Milhares de pessoas se manifestaram, em Paris, por uma 'Europa solidária' e contra a austeridade, em novembro de 2016 — Foto: Michel Euler/AP
Milhares de pessoas se manifestaram, em Paris, por uma ‘Europa solidária’ e contra a austeridade, em novembro de 2016 (Foto: Reprodução)

Os protestos aumentaram em todas as regiões do mundo, constataram, e um ponto comum é que a grande maioria dos governantes não respondeu adequadamente às exigências dos manifestantes.

Desigualdades, corrupção e falta de oportunidades são as causas mais frequentes para as mobilizações, mas questões ambientais, racismo, justiça ética e igualdade de gênero também passaram a atrair mais gente às ruas.

Apoiadores de Trump ocupam a Rotunda do Capitólio após invasão, em 6 de janeiro — Foto: Saul Loeb/AFP
Apoiadores de Trump ocupam a Rotunda do Capitólio após invasão, em 6 de janeiro (Foto: Reprodução)

Os autores ressaltam ainda que nem todos os manifestantes promovem uma agenda positiva, e que também os protestos para negar direitos a minorias aumentaram, citando movimentos como os anti-imigração europeus e os de extrema-direita nos Estados Unidos, como o grupo que participou da invasão ao Congresso em 6 de janeiro deste ano.

Os autores do estudo são parte de uma equipe de pesquisadores do think tank alemão Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) e da Initiative for Policy Dialogue, uma organização sem fins lucrativos com sede na Universidade de Columbia

Fonte: Yahoo!

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