24 de junho, 2024

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Novo estudo revela que rochas podem ser fonte de emissões de CO2, desafiando visão anterior

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Um novo estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford derruba a ideia de que o intemperismo sobre as rochas, ou suas alterações físicas e químicas causadas pela sua exposição a agentes do meio ambiente, faz com que elas sirvam como sumidouros de carbono.

Na verdade, dizem os cientistas, tais fenômenos fazem com que as rochas atuem como fonte de dióxido de carbono (CO2), em uma quantidade comparável àquela jogada ao ambiente por vulcões. Publicado na revista Nature, o estudo tem implicações importantes para o estabelecimento de cenários de mudanças climáticas.

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As rochas contêm um enorme estoque de carbono de antigos restos de plantas e animais que viveram há milhões de anos. Por meio do intemperismo químico, por exemplo, as rochas podem absorver CO2 quando certos minerais são atacados pelo ácido contido na água da chuva. Com isso, os principais modelos de ciclo do carbono consideram que as rochas atuam, de forma geral, como sumidouros do elemento.

No entanto, pela primeira vez, um estudo identificou um processo natural adicional de libertação de CO2 das rochas para a atmosfera quando ela interage com a água, descobrindo que tal processo é tão significativo como o CO2 libertado por vulcões em todo o mundo ao longo de um ano.

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Himalaia é um dos pontos críticos de liberação de carbono por rochas, segundo novo estudo (Foto: Duncan Quincey, University of Leeds)

O processo ocorre quando rochas que se formaram no fundo do mar há muitos anos são trazidas de volta para a superfície da Terra – o caso do Himalaia ou dos Andes, por exemplo. Isso expõe o carbono orgânico das rochas ao oxigênio do ar e da água, que podem reagir e liberar CO2.

Para chegar à descoberta, os pesquisadores monitoraram a quantidade de rênio, um metal raro, que é liberado na água quando o carbono orgânico da rocha reage com o oxigênio. Foi usada água de rios para medir os níveis de rênio, tornando possível quantificar a liberação de CO2.

No entanto, recolher amostras de toda a água dos rios do mundo para obter uma estimativa global seria um desafio significativo. Para aumentar a escala do experimento, os pesquisadores calcularam a quantidade de carbono orgânico presente nas rochas próximas à superfície do planeta. Depois descobriram onde ele estava para ser exposto mais rapidamente, devido à erosão em locais íngremes e montanhosos.

“O desafio era então como combinar estes mapas globais com nossos dados fluviais, tendo em conta as incertezas. Colocamos todos os nossos dados em um supercomputador em Oxford, simulando a complexa interação de processos físicos, químicos e hidrológicos. Ao montar este vasto quebra-cabeça planetário, ppudemos finalmente estimar o total de dióxido de carbono emitido à medida que essas rochas se desgastam e exalam seu antigo carbono no ar”, disse o Dr. Jesse Zondervan, pesquisador que liderou o estudo no Departamento de Ciências da Terra, da Universidade. de Oxford.

Descobriu-se que a liberação global de CO2 proveniente do intemperismo do carbono orgânico das rochas é de 68 megatons de carbono por ano. Os pontos críticos de liberação de CO2 concentraram-se em cadeias de montanhas com altas taxas de elevação que causam a exposição de rochas sedimentares, como o leste do Himalaia, as Montanhas Rochosas nos EUA e os Andes.

“Isto é cerca de 100 vezes menos do que as atuais emissões humanas de CO2 resultantes da queima de combustíveis fósseis. Mas é semelhante à quantidade de CO2 libertada pelos vulcões em todo o mundo, o que significa que é um fator-chave no ciclo natural do carbono da Terra”, afirma o Professor Robert Hilton, também do Departamento de Ciências da Terra de Oxford.

Agora, os pesquisadores tentam entender como as mudanças no intemperismo devido às atividades humanas, juntamente com o aumento do aquecimento das rochas em função das alterações climáticas causadas pelo homem, poderiam aumentar esta fuga natural de carbono. Assim, se tentará estimar, por exemplo, se esta liberação de CO2 pelas rochas aumentará no próximo século. “Atualmente não sabemos isso – os nossos métodos permitem-nos fornecer uma estimativa global robusta, mas ainda não avaliamos como isso poderá mudar”, diz Hilton.

Fonte: Um Só Planeta

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