28 de janeiro, 2026

Últimas:

Nevasca histórica nos EUA deixa mortos, paralisa transporte e promete impacto bilionário na economia

Anúncios

Uma forte tempestade de inverno atingiu grande parte dos Estados Unidos nos últimos dias, provocando nevascas intensas, frio extremo e interrupções generalizadas no fornecimento de energia e no transporte. Ao menos 30 mortes foram registradas em diferentes estados, segundo a rede ABCNews.

O fenômeno afetou sobretudo o Sul e o Nordeste do país. Na região de Austin, Texas, autoridades encontraram uma vítima morta em um posto de gasolina abandonado, com suspeita de hipotermia. No Arkansas, um jovem de 17 anos morreu após colidir contra uma árvore enquanto era puxado por um veículo em meio à neve.

Anúncios

No Nordeste, as mortes estão associadas principalmente à remoção de neve. Na Pensilvânia, três pessoas morreram enquanto limpavam áreas externas de suas casas. Em Nova York, oito mortes foram confirmadas na cidade e um policial aposentado morreu em Long Island, também durante a retirada de neve. Casos semelhantes foram registrados em Nova Jersey e Massachusetts.

As autoridades também confirmaram mortes relacionadas à tempestade em estados como Tennessee, Louisiana, Mississippi, Kansas, Ohio e Carolina do Sul.

Anúncios

O impacto sobre o transporte aéreo foi expressivo. A American Airlines informou que esta foi a tempestade mais disruptiva de seus 100 anos de história, com mais de 9 mil voos cancelados. Segundo a companhia, os efeitos devem persistir por pelo menos mais dois dias.

Um jato é preparado para voo em meio a condições de neve no Aeroporto Internacional de Albany, em Colonie, no estado de Nova York. (Foto: Will Waldron/Albany Times Union)

O frio extremo mantém cerca de 220 milhões de pessoas sob alerta, com avisos que se estendem do Texas e da Flórida até o Nordeste e o Meio-Oeste, incluindo Nova York e Detroit.

As quedas de energia também atingiram centenas de milhares de residências. Dados do site PowerOutage.us indicam que mais de 540 mil clientes estavam sem eletricidade na manhã de terça-feira (27), com os maiores impactos em Tennessee, Mississippi, Louisiana e Kentucky.

Pessoas retiram a neve de carros estacionados durante tempestade de inverno na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, em Nova York. (Foto: Lori Van Buren/Albany Times Union)

Além dos efeitos imediatos, a tempestade deve gerar prejuízos bilionários à economia norte-americana. Segundo especialistas ouvidos pela agência Associated Press, eventos climáticos severos como esse podem reduzir o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos entre 0,5% e 2% ao ano.

Estimativas preliminares da AccuWeather apontam perdas entre US$ 105 bilhões e US$ 115 bilhões, valor considerado excessivo por outros economistas, que afirmam ser cedo para um cálculo preciso.

Ainda assim, analistas avaliam que a tempestade deve figurar entre os desastres climáticos mais caros já registrados no país, devido à sua abrangência, à interrupção de cadeias produtivas e aos custos associados a apagões, cancelamentos de voos e paralisação de atividades econômicas.

E o aquecimento global?

É comum, em épocas de inverno rigoroso e nevascas intensas, virem à tona discursos negacionistas que usam o frio extremo como suposta evidência contra o aquecimento global. A confusão, no entanto, está em tratar eventos pontuais de tempo como se anulassem uma tendência climática de longo prazo.

O aquecimento global, causado principalmente pela queima massiva de combustíveis fósseis, como petróleo gás e carvão, descreve o aumento da temperatura média do planeta ao longo de décadas, enquanto ondas de frio são fenômenos localizados e temporários, que continuam a ocorrer mesmo em um mundo mais quente.

Estudos indicam, inclusive, que o aquecimento acelerado do Ártico pode desestabilizar o jato polar, favorecendo incursões de ar gelado para regiões de médias latitudes, ao mesmo tempo em que o balanço geral do sistema climático segue em aquecimento. O ano de 2025, por exemplo, terminou como o terceiro mais quente já monitorado pela ciência, fechando uma trinca de anos em que a humanidade passou a conviver oficialmente com uma nova realidade do clima, segundo cientistas do observatório espacial europeu, Copernicus.

Em resumo, o frio extremo não contradiz o aquecimento global, ele ocorre, sim, dentro de um sistema climático que está, no conjunto, mais quente e mais instável.

Fonte: Um Só Planeta

Talvez te interesse

Últimas

A indústria brasileira de mangueiras se consolida como fornecedora de soluções para água e ar, com ênfase na conformidade com...

Categorias