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Navios de guerra dos Estados Unidos chegaram ao sul do Caribe, próximo da costa da Venezuela, disse uma autoridade norte-americana à agência Reuters nesta quinta-feira (28). Outras embarcações também estão a caminho da região.
Segundo a agência, sete navios de guerra e um submarino nuclear já estão na região ou devem chegar até o início da próxima semana. O governo dos EUA afirma que a operação tem como objetivo combater o tráfico internacional de drogas.
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A frota inclui navios como o USS San Antonio, USS Iwo Jima e USS Fort Lauderdale. As embarcações estão transportando 4.500 militares, incluindo 2.200 fuzileiros navais, segundo a Reuters.
A agência disse ainda que o Exército dos EUA também tem feito voos com aviões espiões P-8 na região para coletar informações. No entanto, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a operação está acontecendo exclusivamente em águas internacionais.
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Nesta quinta-feira, o embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada, acusou os Estados Unidos de promover uma campanha terrorista na região. Ele se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para discutir a operação norte-americana.
“É uma operação massiva de propaganda para justificar o que os especialistas chamam de ação cinética – ou seja, intervenção militar em um país que é soberano e independente e não representa ameaça a ninguém”, disse.
Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada sobre a operação. Um jornalista perguntou se os EUA avaliavam atacar a Venezuela, após comentar que o aparato militar enviado ao Caribe era maior do que o necessário para ações contra o tráfico de drogas.
Leavitt disse que não iria comentar ações militares e reafirmou que Nicolás Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela. Segundo ela, o venezuelano é um fugitivo da Justiça dos EUA.
“Trump está preparado para usar todos os elementos da força americana para impedir que as drogas inundem nosso país e para levar os responsáveis à Justiça. E, como já disse aqui deste púlpito, o regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela”, declarou.
O termo em inglês usado por Leavitt, “power”, pode ser traduzido como “força” ou “poder”.
Embora o governo Trump culpe a Venezuela pela entrada de drogas nos Estados Unidos, o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 da ONU apontou que as principais drogas consumidas pelos americanos não vêm de lá.

EUA x Maduro
Maduro é acusado pelos EUA de narcoterrorismo. Ele é apontado pelo governo americano como líder do Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional.
No início de agosto, os EUA dobraram a recompensa por Maduro, estipulando um valor de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação do venezuelano.
Maduro tem classificado as ações recentes dos Estados Unidos como ameaças. Diante da movimentação militar, ele anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para proteger o território da Venezuela.
“Fuzis e mísseis para a força camponesa! Para defender o território, a soberania e a paz da Venezuela”, proclamou. “Mísseis e fuzis para a classe operária, para defender a nossa pátria!”
A Venezuela também enviou 15 mil militares para a fronteira com a Colômbia após o governo vizinho afirmar que os EUA estavam usando o narcotráfico como uma “desculpa para invasão militar”. Por outro lado, o governo colombiano descarta colaborar com Maduro.
Na terça-feira (26), em um documento enviado à ONU, a Venezuela classificou as ações dos Estados Unidos como “grave ameaça à paz e à segurança regional” e pediu que a ONU monitore a “escalada de ações hostis” e “ameaças” do governo dos EUA.
Enquanto isso, países como Argentina, Equador, Paraguai e Guiana seguiram os Estados Unidos e também declararam o Cartel de los Soles como uma organização terrorista. Trinidad e Tobago, que fica muito próxima da Venezuela, também disse apoiar a ação militar dos EUA.
Fonte: G1